Ana Paula Félix dos Santos
PUC-Campinas
O ritmo das obras do BRT de Campinas tem sido motivo de queixa na cidade. Moradores que transitam na região comentam que a cada novo trecho que se inicia na obra, vê-se um novo engarrafamento quilométrico nas vias. A preocupação se estende também aos lojistas da região, que notaram uma queda de até 50% no volume de vendas.
“Desde o início das obras, o trânsito se intensificou, isso fez os motoristas diminuírem a frequência com que param entre o trajeto de casa ao trabalho e consequentemente gera quedas bruscas nas nossas vendas”, diz a atendente Cláudia Santos, de 36 anos, que trabalha em uma farmácia popular no Jardim Florence, um dos trechos cortados pela obra. Outro que reclama é Vagner Pereira, de 51 anos, dono de uma lanchonete nas proximidades. “As pessoas evitam parar no estabelecimento para não chegarem mais tarde ainda em casa”, disse.
Lucas Santos, de 23 anos, que realiza o trajeto de carro para chegar ao serviço todos os dias, se queixa do que considera falta de organização por parte da Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas), empresa responsável pelas obras. “Eu passo pela avenida nos horários de pico, de manhã e à tarde. Tem um novo trecho que se tornou de mão única recentemente e já ocorreram dois acidentes lá, sendo um deles fatal. É muita falta de fiscalização.”
Procurada pela reportagem, a Emdec informou que foram realizadas todas as medidas cabíveis para que a segurança fosse mantida no trecho que se tornou via de mão única, mas acrescentou que a negligência de alguns condutores foi maior. A assessoria de imprensa acrescentou que a obra do BRT visa justamente acabar com os transtornos no trânsito nos distritos do Ouro Verde e Campo Grande.
Já Sara Soares, de 21 anos, depende do transporte público para chegar ao trabalho, que fica no centro da cidade. Ela destaca: “já era complicado antes das obras. Depois só piorou, além dos ônibus estarem lotados, o trânsito não anda”, reclama.
Raphael Felizardo, de 30 anos, trabalha em um empresa às margens da avenida e afirma: “antes eu chegava no trabalho em quarenta e cinco minutos no máximo. Hoje vou de carona com um colega ou até mesmo de ônibus e não chego em menos de uma hora e meia. Está muito perigoso, as calçadas praticamente não existem mais e os motoristas só andam desviando dos buracos que se criaram nas pistas laterais que abriram quando a principal entrou em obra”.
Questionada pela reportagem sobre medidas que possam ser tomadas para o grande fluxo nos horários de pico, a Emdec informou que, além de cortar caminho por outras vias, as pessoas que se deslocam na maioria das vezes com veículo particular podem passar a utilizar mais o transporte público.
A entrega do BRT está prevista para o primeiro semestre de 2020. Haverá dois corredores, o Ouro Verde, que terá 14,6 km de extensão e partirá do Terminal Central (Viaduto Miguel Vicente Cury) até o Terminal Vida Nova, e o Campo Grande, que totalizará 17,9 km, iniciando nas proximidades do Terminal Mercado até o Terminal Itajaí.
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sábado, maio 18, 2019
domingo, março 31, 2019
Obras do Rapidão em Campinas alteram distribuição de faixas e fluxo na Avenida das Amoreiras
Leonardo Vicente Fernandes
PUC-Campinas
O BRT (Bus Rapid Transit), sistema rodoviário expresso utilizado por metrópoles ao redor do mundo, promete reorganizar o fluxo de ônibus nas regiões do Ouro Verde e do Campo Grande. A obra, organizada pela Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas) e prevista para ser entregue em 2020, já causa impactos no trânsito e nas principais vias das regiões afetadas, como é o caso da Avenida das Amoreiras (conhecida por ligar os bairros da região do Ouro Verde ao Centro de Campinas), que sofre com a atual divisão de faixas e a velocidade reduzida.
Agentes da Emdec atuam na área no período da manhã para organizar qualquer transtorno que venha a ocorrer durante as obras. De acordo com o secretário de Transportes e presidente da Emdec, Carlos José Barreiro, em entrevista por telefone, “os fiscais estão em operação todos os dias para controlar o trânsito, como por exemplo, autorizar ou não o trajeto nos sinais vermelhos nas regiões em obras”.
Anteriormente com seis faixas – quatro marginais para carros e veículos comerciais e de passeio, e duas centrais para as linhas de ônibus – a Amoreiras conta agora com apenas duas faixas marginais em funcionamento para comportar seu intenso fluxo diário, enquanto as centrais estão interditadas e foram praticamente desfeitas pelas obras.
Com a disponibilidade das únicas duas faixas em alguns trechos, as linhas de ônibus dividem espaço com os veículos comuns, o que interfere drasticamente no tráfego e, consequentemente, no tempo necessário para fazer o trajeto.
Os pontos de ônibus –antes localizados no corredor das faixas centrais– foram temporariamente transpostos para as marginais, fazendo com que as linhas tenham de literalmente parar o trânsito para receber e descer passageiros. Isso aumenta o tempo levado pelas pessoas para transitar na avenida e faz com que a população, usuária das linhas, tenha de alterar boa parte de suas rotinas no trânsito.
O Rapidão
O projeto do BRT, também conhecido como “Rapidão”, também engloba reformas paisagísticas, com jardins e nova iluminação. “As avenidas serão reurbanizadas e ficarão muito mais modernas”, diz o secretário Barreiro. “O projeto também irá valorizar o comércio e estabelecimentos localizados próximos ao BRT”, acrescentou.
A Avenida das Amoreiras faz parte de um dos três corredores BRT planejados – o corredor Ouro Verde, que terá quase 15 km de extensão. Ligada à Avenida João Jorge e à Avenida Rui Rodriguez, a Amoreiras é conhecida por seu tráfego já lento nos horários de pico, além de ser região de intensa atividade comercial.
A cidade recebeu recursos através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - Mobilidade Grandes Cidades, do governo federal, com um orçamento inicial de mais de R$ 549 milhões. Apesar de o custo final ter sido menor que o estimado (R$ 451 milhões), a Secretaria de Transportes recentemente adquiriu áreas até então pertencentes a outros proprietários para a construção do BRT, utilizando verba extraorçamentária.
O BRT faz parte do Plano Viário / Mobilidade de Campinas, que engloba projetos de infraestrutura nova ao sistema de trânsito da cidade. Posterior ao Rapidão há a ideia de inserir o sistema Bus Rapid Transit para o Aeroporto de Viracopos e o Terminal Ouro Verde, “como uma conexão mais rápida entre esses terminais e o centro da cidade”, afirmou o secretário Barreiro. O Plano Viário está programado e projetado até o ano de 2040.
PUC-Campinas
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| Obra do BRT na Avenida das Amoreiras |
Agentes da Emdec atuam na área no período da manhã para organizar qualquer transtorno que venha a ocorrer durante as obras. De acordo com o secretário de Transportes e presidente da Emdec, Carlos José Barreiro, em entrevista por telefone, “os fiscais estão em operação todos os dias para controlar o trânsito, como por exemplo, autorizar ou não o trajeto nos sinais vermelhos nas regiões em obras”.
Anteriormente com seis faixas – quatro marginais para carros e veículos comerciais e de passeio, e duas centrais para as linhas de ônibus – a Amoreiras conta agora com apenas duas faixas marginais em funcionamento para comportar seu intenso fluxo diário, enquanto as centrais estão interditadas e foram praticamente desfeitas pelas obras.
Com a disponibilidade das únicas duas faixas em alguns trechos, as linhas de ônibus dividem espaço com os veículos comuns, o que interfere drasticamente no tráfego e, consequentemente, no tempo necessário para fazer o trajeto.
Os pontos de ônibus –antes localizados no corredor das faixas centrais– foram temporariamente transpostos para as marginais, fazendo com que as linhas tenham de literalmente parar o trânsito para receber e descer passageiros. Isso aumenta o tempo levado pelas pessoas para transitar na avenida e faz com que a população, usuária das linhas, tenha de alterar boa parte de suas rotinas no trânsito.
O Rapidão
O projeto do BRT, também conhecido como “Rapidão”, também engloba reformas paisagísticas, com jardins e nova iluminação. “As avenidas serão reurbanizadas e ficarão muito mais modernas”, diz o secretário Barreiro. “O projeto também irá valorizar o comércio e estabelecimentos localizados próximos ao BRT”, acrescentou.
A Avenida das Amoreiras faz parte de um dos três corredores BRT planejados – o corredor Ouro Verde, que terá quase 15 km de extensão. Ligada à Avenida João Jorge e à Avenida Rui Rodriguez, a Amoreiras é conhecida por seu tráfego já lento nos horários de pico, além de ser região de intensa atividade comercial.
A cidade recebeu recursos através do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento - Mobilidade Grandes Cidades, do governo federal, com um orçamento inicial de mais de R$ 549 milhões. Apesar de o custo final ter sido menor que o estimado (R$ 451 milhões), a Secretaria de Transportes recentemente adquiriu áreas até então pertencentes a outros proprietários para a construção do BRT, utilizando verba extraorçamentária.
O BRT faz parte do Plano Viário / Mobilidade de Campinas, que engloba projetos de infraestrutura nova ao sistema de trânsito da cidade. Posterior ao Rapidão há a ideia de inserir o sistema Bus Rapid Transit para o Aeroporto de Viracopos e o Terminal Ouro Verde, “como uma conexão mais rápida entre esses terminais e o centro da cidade”, afirmou o secretário Barreiro. O Plano Viário está programado e projetado até o ano de 2040.
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