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sábado, maio 18, 2019

Ato pela educação mobiliza estudantes, professores e entidades sindicais em Campinas

Washington Felipe Teodoro da Silva
PUC-Campinas

A manifestação ocorreu de maneira pacífica e organizada
Entidades estudantis, sindicatos e instituições ligadas à educação realizaram quarta-feira, dia 15, um grande protesto nacional contra o contingenciamento de 30% nos recursos destinados à educação, anunciado recentemente pelo governo federal.

Em Campinas, o ato reuniu uma multidão durante o dia no Centro. Segundo os manifestantes, havia 20 mil pessoas no protesto. A Polícia Militar, entretanto, estimou em 2 mil o número de envolvidos. A mobilização teve início por volta das 9h no Largo do Rosário e prosseguiu até o Paço Municipal.

A manifestação ocorreu de maneira pacífica e organizada. Havia poucos agentes da Guarda Municipal e da Polícia Militar. Em alguns momentos foi possível notar a presença do helicóptero Águia, da PM.

O ato reuniu uma multidão durante
o dia no Centro de Campinas
Ao fim das manifestações, em torno das 16h, alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) se dirigiram ao Largo do Rosário onde promoveram uma atividade intitulada “universidade nas ruas”, que tinha como objetivo trazer para as ruas projetos de iniciação cientifica e desenvolvimentos de pesquisas.

Segundo um dos manifestantes, o professor Julian Martínez, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, o contingenciamento significa que os projetos que necessitam de investimento não terão dinheiro para realizar as suas atividades. Sendo assim terão o desenvolvimento prejudicado.

O ato havia sido proposto inicialmente como um protesto das centrais sindicais contra a Reforma da Previdência, mas ganhou a adesão de outras instituições após as declarações do ministro da Educação, Abraham Weintraub, sobre o contingenciamento de recursos da pasta.

terça-feira, abril 09, 2019

TEDx Campinas anuncia que próximo evento será maior



Patrícia Kuae Neves
PUC-Campinas

O apresentador Márcio Ballas
O Teatro Castro Mendes lotou na manhã e na tarde de sábado, dia 6, para assistir à maratona de 15 palestras do TEDx Campinas. Depois de 8 horas de evento com diversas palestras e muitas emoções do público e dos palestrantes, Mario Gioto, organizador licenciado do TEDx Campinas anunciou que o evento de 2020 será muito maior podendo comportar em torno de 2 a 3 mil pessoas.

Com o esgotamento rápido dos ingressos, cerca de duas horas e meia apenas, muitas pessoas não puderam participar do evento e por ter muita procura e interesse demonstrado no evento organizado no facebook, os organizadores procuram fazer o evento em um espaço que comporte um número maior de pessoas. O local e a data não foram divulgados.

As expectativas das pessoas antes do início do evento se baseavam no que elas assistiam pelos vídeos na internet. Segundo a analista de mídia Malu Azzoni, de 23 anos, que assistia o evento pela segunda vez, ela esperava ver ideias de vários temas.

O jornalista Rafael Gnipper: "é interessante ver
a movimentação das pessoas".
Já o jornalista Rafael Gnipper, de 28 anos, destacou: "as palestras do TED são muito referenciadas e é muito bacana ter um evento desse tipo em Campinas, um espaço para discussão de ideias. É interessante ver a movimentação das pessoas em torno, com o evento lotado, isso demonstra a falta desse tipo de evento em Campinas".

O evento deste ano foi organizado aos mínimos detalhes. O tema “aqui tem gente” foi abordado das mais diversas e criativas formas. Por exemplo a entrada das pessoas ao teatro que precisavam receber o símbolo de check (✓) fazendo apologia às verificações nos sites de internet para saber se “você é um robô” e garantir que ali tinha uma pessoa, que ali tinha gente como o tema sugeria.

O evento foi comandado pelo mestre de cerimônias Márcio Ballas que, com carisma, humor e improvisação, levou o público animado até a última palestra. Ocorreram muitos momentos de interação desde organizadores que fizeram o público interagir com o tema perguntando questões mais pessoais envolvendo medo, arrependimento e sofrimento, até o próprio palestrante que pediu a interação da plateia para apresentar sua música. O evento reuniu pessoas de diversos lugares, inclusive estrangeiros vindos do Peru, Bolívia, Equador, Venezuela e Colômbia.

Todas as 15 palestras trouxeram ideias que impactaram as pessoas de diversas formas. Dentre elas, algumas provocaram mais o público, como a de Varlei Xavier emocionando a todos com sua ideia de escolas precisarem de palhaços tanto quanto hospitais; Kamel Zinou, refugiado da Síria, que contou sobre sua história de luta ao fugir de Alepo e se adaptar ao Brasil; a de Lucas Soares, um autodidata que aprendeu música e a levou no projeto chamado Anelo para um bairro pobre de Campinas concluindo que “onde há arte, não há espaço para a violência”; o grupo Não Recomendados, uma das atrações musicais do evento que trouxe manifesto contra as forças machistas, racistas e homofóbicas; e Guilherme Bara, deficiente visual que falou sobre inclusão social de deficientes e respeito.

Uma das palestras mais marcantes foi a de Guilherme Bara por falar de inclusão social de deficiente com tanta propriedade já que ele possui deficiência visual. Essa palestra causou um grande impacto especialmente na deficiente visual que estava na platéia Lethicia Massolini Romaqueli, de 26 anos que é escrevente técnica judiciária. Ela, que não sabia que haveria uma palestra ministrada por um deficiente visual como ela, se emocionou muito. Ao falar sobre a palestra de Guilherme, além de dizer que ele foi sua voz, ela afirma que "ele me representa principalmente quando diz: não sou super herói, não sou coitadinho, sou só o Guilherme e isso é o que eu tenho vontade de falar para todas as pessoas no ônibus, na rodoviária, no trabalho, na universidade, nas ruas, em todos os lugares: não sou herói e não sou coitadinha, sou só a Lethicia”. Ela ainda conta sobre o evento em geral que atualmente vivemos uma realidade em que a humanidade tem sido deixada muito de lado e lá ela conseguiu sentir uma humanidade sendo recuperada e muito aflorada em todo mundo. Além disso, sentiu as mais diversas necessidades sendo olhadas, exploradas, sendo resgatadas e concluiu que "eu acho que literalmente foi possível perceber que aqui tem gente.” Nesse quesito de inclusão social de deficientes, o evento ainda contou com tradução simultânea das palestras em libras.

O evento começou com a música de João Arruda e finalizou com a música de Lucas Soares terminando a noite em festa. Esse foi um dos diferenciais desse ano, além das 3 palestras a mais, comparado ao ano passado. Não apenas o diferencial, mas todo o evento encantou o público. Para Malu Azzoni "a mensagem principal desse ano foi que qualquer um pode provocar grandes mudanças. Mesmo uma menina de ensino médio, um menino sírio, um menino da periferia de Campinas. Basta conseguir fazer as perguntas certas, se permitir ser curioso e também errar. Mas principalmente, decidir agir sobre aquilo que nos incomoda de verdade”, ela conta mencionando os pontos principais de algumas palestras.

Apresentação do grupo Não Recomendados
Segundo a consultora de RH da Bosch - empresa patrocinadora, Ana Paula Alves, de 36 anos, “não tem como participar de um evento desses sem pensar na sua própria história”. Para ela, as palestras das mulheres de uma forma geral impactaram bastante, principalmente da fotojornalista Paula Mariane e do Lucas Soares com o projeto Anelo sobre música.

Já para o analista de RH, João Batista Tumiotto, de 29 anos, por mais que ele passasse o dia todo aprendendo e se “abastecendo" com as novas ideias, isso deveria se refletir com ações no cotidiano. Para ele, uma das palestras mais impactantes foi a de José Bueno por falar da simplicidade, e ele ainda enfatiza que "não damos valor ao simples, imaginando grandes coisas e às vezes passamos por isso despercebido e o simples é essencial, o menos é sempre mais” conta. Ainda acrescenta que outra palestra impactante foi a de Lucas Soares por ter se identificado com a música e seu projeto musical e, ao falar sobre uma das frases mais marcantes de Lucas Soares "onde não há arte, há espaço para violência”, acrescentou: "vamos cuidar do nosso pessoal, da nossa arte, para que a gente possa cada vez mais adquirir conhecimento e tornar o mundo cada vez melhor”.

Em entrevista concedida anteriormente por Mario Gioto, organizador licenciado do TEDx Campinas, de 32 anos, o trabalho do evento ainda não acabou. Agora seria o momento de editar todos os vídeos gravados das palestras e disponibilizá-los no canal de youtube TEDx Talks para que todos possam ter acesso às palestras. Além disso, esse é o momento em que recebem os feedbacks do público contando suas experiências durante e após o evento.

sexta-feira, abril 05, 2019

Projeto Junto oferece cursos para alunos de escola pública em Barão Geraldo

Henrique Bragança Sponchiado
PUC-Campinas

Aula de teatro na Escola Estadual Barão de Rezende 
Localizada em Barão Geraldo, a Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende vem ofererendo, desde março, aulas de teatro para jovens dos 12 aos 20 anos. As atividades são ministradas pela professora Júlia Vilar, aluna de Artes Cênicas na Unicamp e arte-educadora, que encabeça o projeto Junto da ALES (Além da Escola), ação voluntária que disponibiliza aulas para alunos de escolas públicas, desde robótica até idiomas.

"A arte transforma as pessoas e as pessoas transformam o mundo, a arte permite a gente significar a vida", diz Júlia Vilar, atriz, cantora, produtora cultural e arte-educadora que teve seu primeiro contato com o teatro ao assistir espetáculos infantis aos domingos, próximos a sua casa, e que se iniciou depois como aluna de teatro aos seus 9 anos.

As aulas de teatro ocorrem aos sábados, das 14h às 16h15 na Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende, no bairro Barão Geraldo. As aulas vão até o dia 29 de junho. As inscrições são gratuitas no link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdtYKmRFow20yrRdf6Gwpd_hDfgssruOydUk7rzpV2V3ejAiQ/viewform.

segunda-feira, abril 01, 2019

Turma indígena da Unicamp completa um mês com novos desafios para estudantes e universidade

Bárbara C. R. Marques
PUC-Campinas

Recepção aos "bixos" aprovados no Vestibular Indígena
A Unicamp recebeu sua primeira turma indígena em fevereiro de 2019. Aprovados em 27 cursos distribuídos nos campus de Barão Geraldo e Limeira, 68 estudantes ingressaram na universidade por meio da primeira edição do Vestibular Indígena. Essa é uma das medidas aprovadas no final de 2017 que visam intensificar a diversidade étnica e social na melhor universidade da América Latina. Entretanto, o ingresso desses novos alunos é um desafio tanto para os calouros quanto para a própria Unicamp.

Segundo Juliana Sangion da assessoria de imprensa da Comvest, antes mesmo da aprovação do vestibular indígena, a Unicamp promoveu diversas discussões sobre o tema, com convidados indígenas de outras instituições e audiências públicas.  Essas ações ajudaram a trazer as questões indígenas para o debate na Unicamp. Além disso, houve uma programação de recepção aos calouros indígenas que envolveu toda a comunidade interna. Para receber os ingressos, uma rede de apoio foi montada por estudantes, funcionários e professores. A ONG Projeto Mawako, atuante em São Gabriel da Cachoeira, integra essa organização. Apesar de não ter uma parceria formal com a Unicamp, o projeto deve integrar o Grupo de Trabalho (GT) que está sendo organizado para acompanhar os ingressantes e pensar na permanência efetiva deles na universidade.

Arlindo Alemão Gregório (nome indígena Curumim), 38 anos, da etnia Baré, veio de São Gabriel da Cachoeira com sua esposa e seus dois filhos para cursar Engenharia Elétrica. A decisão de cursar Engenharia veio de sua experiência profissional, além do seu amor pela área de Exatas. Mestre de obras, Arlindo já atua na área de construção civil e decidiu se aprofundar mais nesse campo. “Eu sou fissurado por matemática. Gosto muito de matemática, acredito que meus professores já perceberam isso. Quanto mais desafio, quanto mais difícil, mais eu gosto. Encaro tudo isso como um desafio, um sonho, e se tiver que buscar esse sonho por esse caminho tenho que buscar da forma mais suave possível”. Ele ainda ressalta que os professores são bastante didáticos e que está gostando muito do curso.

O Projeto Mawako acredita que a Unicamp será a maior beneficiada por essa intensa troca cultural, uma vez que os estudantes trazem consigo um conhecimento milenar que, até então, não temos acesso. O papel deles no GT é auxiliar com a experiência e conhecimento da região de São Gabriel e buscar soluções para problemas que possam aparecer, garantindo que esses estudantes não sejam diminuídos pela sua condição de minoria dentro da universidade. “Nós indígenas não somos e nunca seremos um povo frágil”, diz Arlindo, que pretende lutar junto a outros estudantes da Unicamp por mais políticas afirmativas.

Em 2018, a Unicamp foi alvo de vandalismo e ataques racistas. Existe uma preocupação dos indígenas em relação a isso. Ele ainda destaca que, apesar dessa iniciativa, a responsabilidade de solucionar possíveis casos é da Unicamp. “O sistema político da Unicamp é que tem que gerir esse tipo de situações, mostrar caminhos adequados: quem procurar, como procurar e o que fazer. A instituição em si tem que responder por esses fatos ou direcionar de alguma forma.” Questionada sobre como lidarão com possíveis discriminações, a Comvest diz ter aprovado, junto ao vestibular indígena, a criação de uma secretaria responsável por ações de combate ao preconceito. A Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade é a instância que cuidará de questões como acompanhamento e permanência estudantil. Em caso de denúncias, elas deverão ser encaminhadas à Ouvidoria da Unicamp.

Essa grande mobilização da comunidade interna também pode ser vista nas políticas de permanência voltadas para os novos estudantes. Segundo dados da Assessoria de Economia e Planejamento (Aeplan), R$ 40.735 milhões do orçamento de 2019 foram reservados para o Programa de Bolsas da Unicamp. Antes mesmo do início das aulas, os indígenas foram submetidos a uma triagem socioeconômica. Todos os estudantes serão contemplados de acordo com suas necessidades. Segundo a coordenação do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE) ao G1, os alunos que atendem aos critérios socioeconômicos contam com o Benefício de Isenção da Taxa de Refeição (BITA) que permite que o estudante utilize de forma gratuita o Restaurante Universitário e com a Bolsa Auxílio-Social (BAS) no valor de R$678,81 mais o reembolso do transporte. Além disso, a Bolsa Auxílio Instalação foi destinada às primeiras despesas dos calouros, antes que eles tivessem definido sua moradia.

A moradia na cidade de Campinas é outra garantia da Unicamp aos ingressantes. Segundo o SAE, caso o número de vagas disponíveis na Moradia Estudantil sejam insuficientes, os estudantes contarão com o auxílio moradia no valor de R$428,75. Além disso, alguns estudantes foram hospedados na casa de voluntários. Alunos, professores e funcionários estão se mobilizando para receber e proporcionar uma boa convivência com os recém chegados.

Ainda sim, relata-se que algumas bolsas só sairão em Abril devido à problemas burocráticos do SAE. A documentação exigida não foi atualizada a tempo para receber os indígenas, requerendo documentos que eles não possuem, como certidão de casamento e comprovante de residência. Porém, Arlindo ressalta que essas pendências já estão sendo resolvidas e que a própria Unicamp forneceu o comprovante para assegurar que eles abrissem contas em bancos. “Eu acho que em pouco tempo eles conseguiram dar assistência a pelo menos 99% da gente. Acho ainda muito prematuro para tirarmos conclusões.” Ele recebeu o auxílio necessário da Unicamp para se instalar em Campinas, mas como ainda não recebe a BAS ele se mantém com seu próprio dinheiro e recebe a ajuda de voluntários. “Se Deus quiser daqui pra frente vai tudo melhorar. Estamos nos instalando aqui e acredito que quem não tiver bolsa vai trabalhar, a maioria tem profissão e os que não têm, tem a bolsa.” Nesse quesito, ainda destaca que eles possuem vários projetos de montar oficinas para levar a cultura e o conhecimento indígena para a população. “Divulgar o nosso jeito de viver, de estudar, nossa forma de nos inserirmos na sociedade para desmitificar o que a maioria pensa – que ainda estamos em 1500”.

Uma dessas voluntárias é Alessandra Pires Nogueira Ribeiro, terapeuta ocupacional. Ex-aluna bolsista da PUC-Campinas, ela sabe o que é lidar com dificuldades e se envolve em inúmeros trabalhos voluntários. Apesar de não ter nenhum vínculo com a Unicamp, ela se solidarizou pela causa indígena. Teve a iniciativa de arrecadar, entre outras coisas, utensílios domésticos para doar. A ação teve início em seu condomínio, mas ela conta que não obteve muito sucesso primeiramente: “Ouvi críticas do tipo: ‘Você está dando mau costume para esse povo’”. Ainda sim, não desistiu. Conheceu duas famílias indígenas, sendo uma delas, a de Arlindo, que atualmente ajuda a repassar as arrecadações de Alessandra para outros indígenas.

O Vestibular Indígena promovido pela Unicamp representa muito no atual cenário político. O governo Bolsonaro tem propostas polêmicas em relação à questão indígena, beneficiando o agronegócio em detrimento da demarcação de terras indígenas. O próprio presidente tem declarações bastante polêmicas em relação aos índios – em 2004, em uma Comissão da Câmara, chamou-os de “fedorentos, não educados e não falantes de nossa língua.” Portanto, essa é uma medida que indica um avanço no sentido de inclusão e representatividade. A presença dos indígenas na universidade pública é compromisso assumido pela Unicamp com a sociedade brasileira de tentar proporcionar alguma resposta à essa complexa questão e pode vir a ser copiada por outras instituições públicas como a USP e a UNESP.

Entretanto, a língua portuguesa é uma particularidade do vestibular indígena. O Projeto Mawako aponta que, entre os povos da etnia Baré, o tupi moderno é a língua nativa. Ao elaborar a prova do vestibular a Unicamp buscou contemplar as diferenças da realidade educacional desses povos para o sistema educacional público brasileiro. Além de ser possuir uma única fase e ser composta por questões que conversam com a realidade indígena, a prova não contou com questões de Língua Inglesa, uma vez que a realização do vestibular na língua portuguesa já atestaria o domínio de uma segunda língua por parte dos estudantes. Esse é mais um dos desafios da Unicamp ao integrar os calouros. Segundo a Comvest, além dos cursos de línguas oferecidos a todos os estudantes da Unicamp, neste primeiro semestre os indígenas cursarão uma disciplina de língua portuguesa. Arlindo confirma a informação dada pela Comvest e ainda complementa dizendo existe um curso de nivelamento de matemática. Para ele, a língua não será um obstáculo no caminho dos índigenas: “Hoje os indígenas contemporâneos estão inseridos na sociedade. Conheço indígenas engenheiros, médicos, farmacêuticos, advogados. Já estamos inseridos na sociedade acadêmica. É claro que, sendo o primeiro vestibular indígena, tudo parece novo. Mas estamos espalhados pelo mundo. Minha etnia Baré é um povo que gosta de estudar e buscar seus sonhos.”

A primeira edição do vestibular indígena foi considerada um sucesso. A Unicamp agora avalia os índices de inscritos e abstenção para traçar as definições das próximas edições. Fatores como a distância e a confusão com o fuso horário podem ter contribuído para o índice de abstenção considerável. A Comvest considera que diante das circunstâncias a demanda foi excelente e o índice de abstenção total de 41,32% foi dentro do esperado. Outra explicação possível é a baixa quantidade de inscritos. Em Recife, cidade com maior abstenção, o total de inscritos foi de 45 alunos, dos quais 34 se ausentaram. Além disso, cada Instituto deve discutir se haverá ou não alteração no número de vagas oferecidas nos próximos anos.

Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo é tema em escola de Sumaré

Letícia Vigano Batista
PUC-Campínas

Alunos do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio da escola Integrada Educativa de Sumaré se uniram na última semana com a direção da escola para produzirem uma campanha de conscientização sobre o autismo. A ação teve o intuito de lembrar a importância do dia 2 de abril, o Dia Internacional de Conscientização do Autismo, e propagar o respeito e a inclusão do autista no ambiente escolar e social. A escola Integrada Educativa tem 33 anos de existência e atualmente atende 1.200 alunos do Ensino Infantil ao Médio. Dentre eles, 7 são autistas.

Daniela Rueda Machado e Ronan Brandão Machado, pais de Eduardo, uma criança autista, relatam que o filho não tinha todas as características de um autista, mas tinha as fundamentais. O que chamou a atenção foram os sinais de isolamento apresentados pela criança e o fato de ele sempre andar na ponta dos pés e enfileirar os brinquedos. Machado é pediatra e afirma que “o autismo é um espectro muito variável. Então é difícil você achar uma criança que se encaixe em todos os aspectos, por isso é difícil descobrir se realmente é autismo ou não”; os pais relatam que, no momento em que tiveram o laudo, começaram a conversar com a escola sobre a adaptação. De acordo com a diretora Valéria Frezzarin Faé, “quanto mais cedo a família detectar, for em busca de acompanhamento e aceitar a condição da criança, mais cedo as habilidades irão se desenvolver. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais rápida é a adaptação”, destacou.

O tema foi abordado pela escola por meio da elaboração de um vídeo de conscientização em que o aluno Felipe Azanha Prado, de 11 anos, coordenou as entrevistas que tinham como enfoque a convivência entre as crianças típicas e as atípicas. Os alunos que participaram deram seus depoimentos relatando experiências e contando como ajudam no desenvolvimento e na inclusão de seus amigos. Julia Vitória Oliveira, de 17 anos cursa o 3º ano do Ensino Médio e, ao ser questionada sobre como é conviver diariamente com um autista em sua sala, ela disse que é um "aprendizado diário e muito divertido": “ele costuma falar tudo que ele pensa e não guardar coisas pra ele. É como se ele nos representasse” afirma a jovem.

Gisele Abraão é professora e trabalha na educação a 20 anos e a 10 anos com autistas, ela acredita que a sociedade precisa mudar os seus pré-conceitos em relação aos autistas e que o conhecimento é fundamental para que haja uma inclusão eficaz. “Embora o número de autismo seja expressivo, ainda há muita desinformação sobre o assunto, o que intensifica o preconceito e a exclusão” afirma Gisele. Foi compartilhando do mesmo pensamento e acreditando que a conscientização vem a partir da informação, que a direção da escola propôs a campanha para os alunos. Segundo Daniela mãe de Eduardo, campanhas como essa e a existência do dia 2 de abril são importantes para que as mães aceitem o diagnóstico dos seus filhos, “é importante os pais não perderem tempo com a aceitação do diagnóstico” diz ela.

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, caracterizado por inabilidade de interação social, dificuldade no domínio da linguagem e padrão de comportamento restritivo e repetitivo. O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias; seu grau de comprometimento é de intensidade variável: vai desde quadros mais leves, como a síndrome de Asperger, na qual a fala não é comprometida, até quadro mais graves em que o paciente é incapaz de qualquer tipo de contato interpessoal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que há 70 milhões de pessoas com autismo em todo o mundo, sendo 2 milhões somente no Brasil. Estima-se que a cada 88 crianças uma é autista, com prevalência cinco vezes maior em meninos. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas os sinais ficam evidentes de fato antes da criança completar 3 anos.


domingo, março 31, 2019

Campinas recebe feira gratuita de intercâmbio com universidades norte-americanas


Matheus de Santi Alves
PUC-Campinas

Interessados em estudar nos Estados Unidos terão a oportunidade de visitar a Feira EducationUSA, que realizará sua 5ª edição no próximo dia 6 de abril, no Hotel Meliá Campinas. O número esperado é de 20 universidades norte-americanas e a entrada é gratuita.

A Feira tem o intuito de promover oportunidades de estudo nos Estados Unidos e os interessados poderão conversar com representantes das universidades e entender como funciona o processo de seleção. Além do intercâmbio, que geralmente dura de 6 meses a 1 ano, a feira contará com informações sobre cursos de inglês, cursos de especialização, pós-graduação, mestrado, doutorado, cursos de aprimoramento em áreas especificas e graduação.

O evento, ocorre em formato Roadshow Fair, ou seja, passa pelas principais cidades e capitais do Brasil. Neste ano, o evento ocorre em Campinas no primeiro semestre, e em outra cidade ainda não definida no segundo. “Temos como missão institucional promover oportunidades de estudo nos Estados Unidos e a expectativa de público é o maior número de pessoas possível, fizemos uma divulgação massiva e estão todos convidados a visitar a feira” explicou Thaissa Marques, adviser do EducationUSA.

Thaissa ainda destacou a importância de estudar no exterior na vida de uma pessoa, “Intercâmbio costuma transformar e moldar a pessoa em todos os sentidos, ocorre o aprimoramento pessoal e profissional, é difícil que quem faça o intercâmbio não volte uma pessoa transformada, muito mais resolutiva e independente, além do idioma melhorado e a oportunidade de conviver com culturas e métodos de ensino diferentes, tudo isso faz com que o aluno, futuro profissional, ingresse melhor no mercado de trabalho” finalizou.

O evento ocorre das 14h às 17h com entrada gratuita, as inscrições podem ser feitas pelo link: http://educationusa.org.br/site/inscricao/ 

A exposição “Faces de Mulher” discute igualdade de gênero e instiga escolas a discutirem o tema

Naira Pereira Zitei 
PUC-Campinas

Exposição no Paço Municipal da Prefeitura de Campinas
foi até sexta-feira, dia 29
A Assessoria de Educação e Cidadania da Secretaria Municipal de Educação de Campinas realizou o evento “Faces de Mulher: um gênero e muitas expressões” de quarta-feira, dia 27 de março, a sexta-feira, dia 29. Obras do artista plástico Marcelo Grespan e de alunos de escolas municipais foram expostas no saguão do Paço Municipal e atividades relacionadas ao tema ocorreram no Salão Vermelho da Prefeitura, a fim de aprimorar a discussão sobre igualdade de gênero nas escolas.

O evento de abertura contou com a presença da Promotora de Justiça Cristiane Corrêa de Souza Hillal que em seu discurso afirma que “é a escola o local perfeito para exercício da empatia e alteridade, problematização de padrões culturais preestabelecidos que oprimem, causam dor e morte”. Além disso, ressalta a importância do projeto, uma vez que “vários organismos internacionais públicos e privados, a fim de promoverem a luta contra a violência, reclamam que no Brasil faltam ações educativas de projetos como esse que está sendo implantado na Prefeitura de Campinas que trabalhará o papel das mulheres no mundo”, disse.

Palestra no Salão Vermelho
do Paço Municipal
Elza Frattini Montali, Coordenadora do Ceamo e da Coordenadoria da Mulher, por sua vez, disse que “o espaço de educação das nossas crianças é a nossa esperança de que sejam discutidas as questões do feminismo para que a gente possa tentar enxergar um futuro melhor, principalmente para as crianças que são o futuro da nossa cidade”. Por fim, ela destacou a relevância do evento para os educadores refletirem e promoverem uma cultura de paz nas instituições de ensino.

Já a professora Leila Mendes Rocha fez uma palestra para abrir os horizontes da plateia sobre as questões de gênero. Ela declarou a necessidade de as escolas valorizarem o feminino no homem e na mulher. Dessa forma, a palestrante termina sua fala valorizando a prática do diálogo dentro das escolas e a aproximação das famílias.

No entanto, a diretora Sandra, ouvinte da palestra, acredita na dificuldade desse diálogo, visto que o atual presidente, Jair Bolsonaro, enaltece valores retrógrados e uma nova forma de conversa torna-se necessária com os pais e funcionários.

A manhã de abertura estava repleta de mulheres e alguns homens também compareceram. O professor de Geografia, José Carlos Mariano, fez questão de estar presente, pois “se não houver colaboração conjunta, a gente não vai conseguir direitos iguais” e revela que sempre procura saber mais sobre o assunto para discutir na sala de aula.

A secretária de Educação, Solange Pelicer, se disse satisfeita com a realização do evento e reitera que a discussão sobre igualdade de gênero com as crianças contribuirá na construção de uma sociedade mais pacífica.