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segunda-feira, abril 22, 2019

Contratação feminina aumenta na RMC, mas aponta também salários menores

Crisane Marcelino Passos
PUC-Campinas

Fonte: Observatório PUC-Campinas
A participação da mulher no mercado de trabalho tem vivido um momento contraditório. Entre 2010 e 2018, 32 mil de 37 mil cargos disponibilizados foram ocupados por mulheres na Região Metropolitana de Campinas, segundo as informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Demitidos). Apesar disso, as pesquisas apontam que tal preferência pela mão de obra feminina vem acompanhada de uma redução de custos na contratação de mão de obra.

Segundo o estudo temático realizado pelo Observatório PUC-Campinas, “Trajetória das Mulheres no mercado de Trabalho na Região Metropolitana de Campinas”, sob o comando da professora doutora Eliane Navarro, do corpo docente da PUC-Campinas, os postos de trabalho com piores remunerações, seja devido a estrutura hierárquica de cargos e salários, seja devido ao segmento de atividade econômica, são ocupados por mulheres, o que embute uma estratégia de redução de custos.

Fonte: Observatório PUC-Campinas
Em entrevista, Navarro comparou essa lógica estratégica à reprodução da vida familiar para o mercado de trabalho, em que as mulheres assumem postos de cuidadoras e os homens assumem postos mais importantes, como os de tomadas de decisão, e ressaltou também que essa prática ganha novos reforços à medida que a onda conservadora, presente nos atuais governos mundiais, se expande.

O estudo mostra que as mulheres tendem a ser alocadas em departamentos com menor capacidade de remuneração. É no processo seletivo que ocorre a discriminação. Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), as mulheres têm sido alocadas em postos de trabalhos pertencentes às categorias intermediárias nas estruturas ocupacionais. Por exemplo: trabalhadores nos serviços e vendedores de comércio, trabalhadores técnicos de nível médio e trabalhadores de serviços administrativos.

O período entre 2010 e 2018 é marcado por intensa instabilidade macroeconômica e política. Ainda assim a RMC apresentou um saldo positivo de 37.149 postos de emprego. Como já citado anteriormente, esse saldo tendeu a apresentar um critério de admissão mais concentrado na mão de obra feminina. O primeiro fator explicativo, segundo Eliane Navarro, se dá devido a dinâmica setorial. Numa perspectiva mais detalhada, os maiores saldos negativos foram observados na Indústria de Transformação e na Construção Civil, setores onde prepondera a participação masculina. Outro fator a ser considerado relaciona-se com o fato de que os salários femininos dos admitidos situam-se, aproximadamente, em torno de 80% dos masculinos, segundo dados do Caged.

Segundo a Rais, por escolaridade, a ampliação da participação da mulher também pode ser notada. A disparidade de remuneração inclina-se a ser na faixa mais escolarizada. Uma mulher contratada com superior completo recebe cerca de 65% do salário pago ao homem da mesma escolaridade.

Caso as mudanças previstas na reforma da Previdência sejam aprovadas, a situação da mulher tenderá a fragilizar ainda mais, uma vez que, não terá condições de garantir o valor razoável de aposentadoria. Os principais pontos de debates são: idade mínima; tempo de contribuição de 40 anos para ter acesso a 100% do teto do benefício; aposentadoria rural e benefícios de contribuição continuada (BPC) inferior ao mínimo.

Com essa tendência no mercado de trabalho, a flexibilidade que virá com a Reforma Trabalhista, fará com que contratos intermitentes e parciais sejam mais constantes. Além do mais, com o avanço do desemprego e a informalidade, a desestruturação do emprego formal, ao desestabilizar a base de contribuição do INSS, colocará em xeque o período de transição.

sexta-feira, abril 05, 2019

Estudo aponta queda na média salarial na RMC

Gustavo Goncalves Ferreira
PUC-Campinas

Uma pesquisa feita pelo Observatório da PUC-Campinas, publicada no dia 27 de março, mostrou uma queda de 7% nos salários em geral na região e que os mais afetados pela situação foram os universitários recém formados e os idosos.

De acordo com a Eliane Rosandiski, professora da PUC-Campinas, economista e responsável pela pesquisa, o principal fator do fenômeno observado decorre da concentração nas atividades de serviços. ”Com relação à queda nos salários, ela se deve à dinâmica do emprego ser concentrado nas atividades de serviços, que tradicionalmente a produtividade é mais baixa e remunera menos que a atividade industrial”.

A queda na média dos salários dos idosos é a maior em muitos meses. Para a professora Rosandiski, “os mais velhos são vítimas da rotatividade: eles têm maiores salários e são substituídos por menores salários de jovens recém-formados”.

Dinalva do Rosário, cozinheira, 67 anos,
diz que está cada vez mais difícil arranjar
emprego com um salário decente
Dinalva do Rosário, cozinheira, 67 anos, diz que está cada vez mais difícil arranjar emprego com um salário decente na região: “sinto que estou cada vez valendo menos, as coisas estão muito difíceis“. Dinalva começou a oferecer buffet para festas, por conta própria, para poder ajudar nas despesas da casa. Não só o salário dos acima de 65 anos vem caindo, a taxa de emprego anda bem difícil na região: em dezembro o saldo de emprego dos idosos no RMC foi de  -165.

Patricia dos Reis é uma das que sente o
fenômeno da queda dos níveis salariais
Jovens com ensino superior completo são a outra categoria que mais perdeu salário em fevereiro. Como os recém-formados vem cada vez mais aceitando um salarios menor para substituir os mais velhos, a média dos salários deles vem caindo  Patricia dos Reis é uma das que sente o fenômeno da queda dos níveis salariais na região: “Cada vez mais reduzem os salários que me oferecem e eu sou obrigada a aceitar para poder trabalhar”.

A professora Eliane Rosandiski diz que não é possível prever uma perspectiva de crescimento “ Não é possível afirmar nada, pois dentro dos serviços a atividade de ensino teve melhor desempenho e ela ainda é sazonal”. As pesquisas são feitas mensalmente pelo Observatório da PUC-Campinas.