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quarta-feira, junho 19, 2019

Americana confirma primeira morte pelo vírus da dengue e casos confirmados já ultrapassam 2,8 mil

Bruna Dalago de Andrade
PUC-Campinas

A Prefeitura de Americana informou que o número de casos confirmados de dengue até o momento já chegam a 2.856, indicando um aumento significativo e preocupante se comparado aos número de casos confirmados pelo  CVE - Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac no mês de abril de 1.526, sendo que no ano todo de 2018 os casos confirmados pelo CVE na cidade foram apenas 11.

A Prefeitura confirmou no último dia 12 a primeira morte pelo vírus. Segundo informações, era uma mulher de 48 anos, moradora do bairro São Roque, infectada pelo tipo 2 do vírus e que foi atendida na rede particular da cidade. A morte aconteceu em abril, porém só foi confirmada agora pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. Mais três mortes suspeitas são investigadas.

Conforme boletim da Vigilância Epidemiológica da cidade, o bairro mais populoso da cidade, Antônio Zanaga, é o que apresenta maior número de ocorrências, seguidos pelos bairros Jardim América II e Cidade Jardim. Mulheres entre 30 e 59 anos são o maior grupo entre os casos confirmados.

Para o combate à doença a Prefeitura tem promovido ações de limpeza nos bairros e mobilizações para eliminar criadouros do mosquito. Chegaram a acontecer nebulizações, que tiveram que ser interrompidas por conta do desabastecimento nacional de inseticida.

Segundo informação do site oficial do Ministério da Saúde, a forma mais eficiente de prevenção da doença é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, eliminando possíveis criadouros, como água parada em vasos, pneus, garrafas, piscinas sem uso e manutenção e até mesmo em recipientes pequenos. E a recomendação é que caso apresente os sintomas da doença, como: Febre alta, dores musculares intensas, dor ao movimentar os olhos mal estar, falta de apetite, dor de cabeça, manchas vermelhas no corpo, deve- se procurar imediatamente o hospital ou unidade de atendimento mais próxima.

sábado, junho 15, 2019

Biblioteca de Americana promove feira de doação de livros

Bruna Dalago de Andrade
PUC-Campinas

A Biblioteca Municipal de Americana “Professora Jandira Basseto Pântano” promove, no próximo dia 28, o evento “Tenda Leve e Leia”, que oferece gratuitamente livros sem a necessidade de devolução. Estão disponíveis obras de assuntos gerais, enciclopédias, manuais e livros didáticos de áreas como matemática, sociologia e história, todos provenientes de doações recebidas pela Biblioteca.

Segundo a assessoria de imprensa da Biblioteca, a ideia do projeto surgiu de iniciativas semelhantes promovidas por outras bibliotecas e por conta da demanda por livros didáticos que havia por parte dos estudantes da cidade, tendo como objetivo incentivar a leitura, além de disponibilizar material didático das mais variadas áreas do conhecimento. O evento mantém uma média de 200 a 300 livros para doação por edição.

A Tenda Leve e Leia acontece toda última sexta-feira do mês e faz parte da programação mensal promovida pela Biblioteca, que conta também com exibição de filmes e palestras de diversos assuntos ao longo do mês, e qualquer pessoa pode participar.

Serviço:
Tenda Leve e Leia
Quando: 28 de junho, das 9h às 15h.
Local: Biblioteca Municipal de Americana - Praça Comendador Müller, no Centro de Americana

quarta-feira, maio 15, 2019

Americana Anime Fest reunirá os amantes de cultura pop

Stela Ribeiro Pires
PUC-Campinas

O Colégio Dom Bosco de Americana (R. Dom Bôsco, 100 - Vila Santa Catarina) recebe nesse domingo, dai 19, às 11h, a segunda edição do Americana Anime Fest, com realização da Avalon Eventos, que promete convidados especiais, quadrinhos, games e lojas especializadas no universo geek. O Anime Fest é atualmente o maior evento de cultura pop do interior de São Paulo, com mais de 100 eventos realizados.

Segundo Ricardo Mazucato, um dos organizadores do evento, "a principal convidada do dia é a dubladora Bianca Alencar, que tem um vasato currículo de vozes na TV brasileira", destacou. Ele também acrescentou que Street Fighter e LOL serão as principais atrações de games.

O evento conta ainda com o Circuito Kpop, no qual grupos covers se apresentam, e com o Circuito Anime de Cosplay. Também haverá jogos de RPG (Role-Playing Game), além de contar com o influencer Muca Muriçoca.

O evento é gratuito para crianças de 0 a 10 anos acompanhados de responsáveis legais e adultos acima de 60 anos de idade. Os preços dos ingressos variam. Para quem comprar até 18 de maio, o valor é R$ 32; caravanas pagam R$ 28 por pessoa. Na hora, o ingresso custa R$ 38. Estudantes, professores, menores de 18 e pessoas com necessidades especiais, doadores de 1kg de alimento pagam meia entrada na hora, cujo valor é R$ 19.

O Americana Anime Fest pertence ao Circuito Anime Fest de Eventos da Avalon Eventos, que percorre as cidades de Campinas, São José dos Campos, Piracicaba, Ribeirão Preto, Jundiaí, Limeira e Americana.

domingo, maio 12, 2019

Um café da manhã especial para o Dia das Mães em Americana

Camila de Paula 
PUC-Campinas

A manicure Nágila Betine e suas
duas filhas: homenagem bonita
O Instituto JR Dias realizou no último sábado, dia 11, um café da manhã especial para o Dia das Mães em Americana, no Society do Paulinho, no bairro Antônio Zanaga, em Americana. O café teve início as 9h30h e terminou por volta das 11h. Contou com show ao vivo, sorteios e distribuição de brindes. Já é o sexto ano que a instituição realiza o evento e os alimentos servidos durante o evento são fornecidos por parceiros e patrocinadores.

Juninho Dias, presidente do Instituto JR Dias, contou que foi incentivado por sua mãe para começar a realizar o café da manhã e que busca reunir toda a comunidade para comemorar a data. “Minha mãe tem um trabalho há mais de 20 anos na comunidade, um trabalho social, e por meio dela, pelo incentivo dela, tivemos o primeiro café da manhã; aí saiu o segundo, o terceiro, o quarto, e hoje é essa festa linda que acompanhamos hoje.

Evento atraiu a comunidade
A manicure Nágila Betine, de 26 anos, estava participando do café da manhã junto com o marido e as duas filhas. Ela contou que é muito bonita a mensagem e que é uma oportunidade para que as pessoas se reúnam e comemorem com seus familiares um dia tão importante. “É uma mensagem muito bonita. O Dia das Mães é muito gostoso para dizer o quanto isso é maravilhoso” diz Betine.

Pessoas que já perderam as suas mães também podem encontrar conforto e carinho em eventos desse tipo. Rafael de Oliveira, de 31 anos, coordenador regional do bairro Antônio Zanaga, estava presente no evento e perdeu sua mãe em 2015. “Isso aqui pode significar uma reflexão para essas pessoas que já perderam suas mães. As pessoas têm que enxergar que o dinheiro não compra tudo nesse mundo. Pequenos gestos fazem a diferença na vida das pessoas, então às vezes não adianta você querer ‘comprar’ a sua mãe, querer dar presente caro, levar em restaurante caro, se você não dá um beijo, um abraço, não fala um ‘eu te amo’ para ela”, disse.

Rafael de Oliveira e Rafaeli Marques
A cantora e vendedora externa Rafaeli Marques, de 36 anos, estava participando do evento cantando com a banda. Ela é mãe e perdeu a dela em 1999. “Posso dizer que Deus nunca desampara a gente, meus pais faleceram mas me presentearam como uma tia, que me adotou aos 16 anos após o falecimento dos dois, e o Dia das Mães passou a ter mais importância para mim quando eu me tornei mãe, então todo aquele amor e carinho que eu recebi da minha mãe hoje eu posso passar para o meu filho e ser exemplo pra ele”, conta.

Marques também revela que na sua opinião o projeto é de extrema importância na comunidade, pois ele une as pessoas e as conscientizam a se doar ao próximo por meio da compaixão e da caridade. “ Eu penso da seguinte forma, esse projeto une pessoas. Não é só no Dia das Mães, mas todos os dias”, afirmou.

domingo, abril 21, 2019

Festival regional reúne Apaes de 18 cidades paulistas em Americana

Camila Fernanda de Paula 
PUC-Campinas

Apresentação dos alunos da Apae de Americana
Na última quarta-feira, dia 17, a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Americana e o Conselho Regional da Apae de Nova Odessa, com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Americana, realizaram o "Festival Regional Nossa Arte 2019” em Americana, no teatro municipal Lulu Benencase (R. Gonçalves Dias, 696 - Jardim Girassol, Americana).

Nessa edição do festival, 18 Apaes da região de Nova Odessa e Mogi Mirim se apresentaram. Depois dessa apresentação, os ganhadores vão para a classificação estadual, que vai acontecer em Valinhos no mês de julho e depois para a nacional, que vai acontecer no mês de novembro em Manaus.

Alunos da APAE de Santa Bárbara D'Oeste
No evento, os alunos que possuem alguma deficiência intelectual, associada ou não a outras deficiências, puderam expor seus talentos artísticos em um ou mais gêneros indicados pela regulamentação do festival: música, dança, dança folclórica, artes cênicas, artes visuais, artes literárias e artesanato.

A coordenadora de comunicação da Apae de Americana, Quelis Zacardi, contou, em entrevista, a importância do evento: “o festival é realizado desde 1991. É uma ação das federações nacionais, estaduais e regionais das Apaes. Há as classificatórias regionais, estaduais e nacional. É um festival muito importante porque ele coloca em foco a pessoa com deficiência e suas potencialidades. São apresentações teatrais e musicais. Os alunos recebem todo apoio e treinamento dos professores e voluntários”, disse. Quelis também conta que o objetivo do festival é a inclusão social, mostrar que os alunos da Apae são capazes.

Sueli A.S Bonani, professora pedagoga da Apae de Americana
Sueli A.S Bonani, professora pedagoga da Apae de Americana, conta que a arte pode desenvolver o aprendizado do aluno e ajudá-lo a se expressar melhor. “O trabalho com a arte desenvolve todo pensamento deles, a motora, psicológico, relaxamento, envolve tudo. A gente vê o interesse que cada um tem, o despertar dele, e com isso a gente vai descobrindo o que cada um tem, isso é muito mais valioso e importante. Conseguimos descobrir coisas fantásticas dentro deles, um despertar muito bom, desenvolve o aprendizado, a capacidade, a atenção, a parte motora, a gente não imaginava como isso é importante” afirma.

Exposição de artes plásticas dos alunos da Apae
Bonani completa que, ao ensinar alunos com alguma deficiência intelectual, obtém um novo aprendizado e alguma lição de vida a cada dia. “O amor é muito grande, amo demais, é um aprendizado, uma lição de vida para qualquer um e para qualquer relacionamento que tiver com ele, é especial, fora de série. Eu já estou há 24 anos na Apae e a gente tá sempre aprendendo todo dia”, diz Bonani.

O evento foi aberto ao público, e os pais e familiares dos alunos tiveram a oportunidade de vê-los demonstrar todos os seus talentos artísticos no palco. Marizete Perpétua da Silva, mãe de Richard da Silva, aluno da Apae de Americana que também se apresentou no festival, contou em entrevista que o trabalho com a arte ajudou o seu filho com a timidez e a se relacionar melhor. “Está incentivando o crescimento e o desenvolvimento dele, eu só tenho a agradecer tudo isso, meu filho era muito tímido. Ele está muito desenvolvido, abraçando essa arte de dançar e de se apresentar. Então, para mim, está sendo maravilhoso tudo. Richard é muito retraído e ele está se soltando agora através da dança, através da peça que ele vai representar, isso tá ajudando bastante no desenvolvimento dele”, afirma.

Ana Laura Bernadi e Flávia Costa, coordenadora da APAE de Mogi Mirim
A aluna da Apae de Mogi Mirim, Ana Laura Bernadi, se apresentou ao lado de seus colegas. Ela contou que adora assistir as apresentações de dança e que se emocionou muito. “Foi boa a sensação de estar no palco, fiquei bastante feliz. Eu adoro dançar e gosto da fanfarra, nós dançamos bastante e nos divertimos um pouco também. Adoro assistir as apresentações e a dança da cadeira de rodas me emocionou”, contou Ana Laura.

domingo, abril 14, 2019

Um dia dedicado a mostrar a arte feita para nossos olhos

Stela Ribeiro Pires
PUC-Campinas


 A arte tem o poder de ‘estesiar’ as pessoas, ao contrário de anestesiar
José Renato Sedlacek, professor
Um pintor, uma fotógrafa e um professor: em comum a todos, a paixão pelas artes plásticas. A reportagem reuniu-os para mostrar, em palavras, o significado do fascínio pelas imagens. Nessa segunda-feira, dia 15, é comemorado o Dia Mundial do Desenhista, que foi instituído no ano de 2011 pela IAA (International Association of Art, Associação Internacional das Artes em português), a maior organização não governamental de artes visuais, criada pela Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A data é também uma homenagem a Leonardo da Vinci, nascido neste mesmo dia a 567 anos em Vinci, Itália. Também é comemorado nesse dia o World Art Day (Dia Mundial da Arte), que celebra todos os tipos de manifestações artísticas existentes, dentre elas a pintura, teatro e a fotografia.


Juntos somos mais
O artista plástico Smania e seu mural em prol da Apae
O publicitário Leonardo Smania Donanzan, de 25 anos, iniciou sua vida artística em 2014, quando começou a pintar. Segundo ele, desde novo já tinha aptidão para o desenho. Smania, como o artista se identifica em suas obras, relata que, por volta dos 5 anos, já havia ganho concurso escolar pela releitura de uma obra, mas foi na faculdade de Publicidade e Propaganda, na Universidade Metodista de Piracicaba, que começou a pintar murais e que o seu dom aflorou. A partir daí Smania começou a pintar nas ruas, fazer estêncil – técnica para aplicar desenho ou ilustração através do corte ou perfuração em papel ou acetato – e aprimorar a sua arte.


 Desde o começo da pintura do mural ele ouvia reclamações a respeito da cor da pele da modelo e de sua aparência 
Smania
Smania teve como base uma campanha que havia feito a certo tempo chamada Educação Não é Crime, no qual teve bastante repercussão, e a partir dali começou a se atentar no poder que tem a arte para despertar a consciência coletiva. Então, como já era voluntário da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Americana e estava inserido em um meio no qual já conhecia o pessoal, teve a ideia de fazer uma nova campanha, juntamente com a instituição, para levantar verba, pois o rombo deixado pelo ex-prefeito Diego de Nadai ocasionou no corte de 20 a 30 funcionários dentro da APAE, além de existir, na época, especulações sobre o fechamento da instituição.

Houve um sentimento, por parte do pintor, que algo poderia ser feito por sua arte. Além do intuito de levantar verba, Leonardo queria retratar rostos que geralmente são esquecidos, rostos de pessoas deficientes. “A campanha teve um benefício meio que holístico né? Cada ponto que ela tocou, seja para mim, seja para os alunos, seja para a campanha, seja para a cidade acabou sendo beneficiado”, diz, além de relembrar que foi muito especial para os alunos, que lembram até hoje com alegria de seus retratos pela cidade de Americana.

Muro onde havia a pintura com
a aluna Gleice, da Apae
(veja como era antes)
O segundo mural da campanha gerou grande repercussão na região. Smania conseguiu um espaço que, segundo ele, era de melhor visibilidade na Avenida Brasil, a avenida que é o cartão postal de Americana. Ele viu a foto de Gleice, uma aluna da Apae, no acervo e decidiu pintá-la por estar dentro de um recorte social e econômico: “a Gleice é negra. É mulher deficiente. Ela tem sobrepeso e mora num lugar periférico”. Desde o começo da pintura do mural ele ouvia reclamações a respeito da cor da pele da modelo e de sua aparência. Segundo o artista, a modelo estava em um lugar de destaque genuíno e foi isso que gerou o incômodo das pessoas. “Uma coisa seria colocar a Gleice num mural do racismo, e eu colocasse lá já haveria o ‘selo’ de mural contra o racismo”, disse.

Smania usa o exemplo de revistas para explicar o contexto: “você pode até ver pessoas fora do padrão lá, mas não são pessoas fora do padrão, como a modelo ‘plus size’, ela está numa categoria destinada para que ela seja diferente já, entendeu? Ela não está numa categoria de modelo ‘normal’. Ou então se a pessoa fora do padrão está lá, ela está maquiada pra estar lá, retocada para estar lá. No caso da Gleice não, eu deixei os dentes dela bem amarelos, deixei do jeito que ela era mesmo. Então você vê o quanto isso causa desconforto na galera né? Muita gente me falou que não era para ela estar ali, e falou sério”, disse. A pintura foi acusada de ser depressiva, mesmo sendo colorida, benfeita e acabada, com o sorriso no rosto da modelo, que estava totalmente alegre na foto de inspiração. Para Smania, Gleice estava despretensiosa e desarmada.

Após alguns meses, a segunda pintura da campanha foi apagada do muro que estava. No local estava sendo construído um prédio e, ao término, o muro foi repintado de branco. Para Smania, foi ingenuidade de sua parte achar que compreenderiam a importância da obra e da campanha a ponto de deixá-la onde estava. Apesar do desafio, declara “um trabalho que eu me orgulho muito” conclui.

Olhar carinhoso
 Eu falo que fotografia é a minha cura. É a oportunidade que eu tenho de mostrar pro mundo como eu enxergo ele e as pessoas
Marina Mello
Marina Mello, publicitária de 23 anos, cativa seu amor pela arte de fotografar desde o começo do ensino médio, quando seu pai iniciou um curso... e quem acabou demonstrando interesse foi ela. Esse interesse levou-a aprender o básico e acabou entrando no curso avançado, junto com seu pai, que encarava isso como hobby.

Com o apoio da família, Marina ganhou sua primeira câmera e começou a fotografar por brincadeira, tirando retratos de seus amigos. Na escola, fotografou os trotes do 3° ano do ensino médio, pois seus amigos já a reconheciam como uma fotógrafa. Porém ainda não tinha certeza se aquilo viraria sua profissão. Então optou por cursar publicidade e, caso não conseguisse trabalhar com fotografia, teria uma formação.

“Eu tento ser muito verdadeira com o que estou fotografando. Então nesse processo eu quero que a pessoa se enxergue pelos meus olhos, de uma forma que não costumam se enxergar normalmente. No nosso dia a dia a gente acaba sendo muito cruel com nós mesmos. A gente se cobra, a gente se boicota, a gente se pressiona muito, e às vezes o olhar cuidadoso e carinhoso que a gente tem com outras pessoas a gente esquece de ter conosco. Então, eu tento ser o mais transparente, o mais sincero possível, a mais verdadeira possível. Eu gosto de retratar a pessoa como ela é. Por isso que eu falo que não sou ‘fotógrafa de aniversário’. Eu não falo que faço retratos, eu falo que sou fotógrafa de gente, que eu gosto de conhecer as histórias e contar as histórias”, explica Mello.

A fotógrafa ainda expõe a dificuldade que os artistas enfrentam de que muitas vezes a arte não é valorizada e as pessoas não querem pagar o preço, reconhecer o valor, pois é subjetiva e o artista está sujeito a qualquer interpretação. A pessoa pode gostar ou não do trabalho, pois o que é belo ou arte para um pode não ser no olhar do outro, levando muitas vezes que não encarem o trabalho dela como algo realmente sério, apesar de ser o seu sustento. “Eu falo que fotografia é a minha cura. É a oportunidade que eu tenho de mostrar pro mundo como eu enxergo ele e as pessoas, e acho que nada paga essa sensação de saber que eu tenho o meu lugarzinho no mundo, sabe”, declarou Mello.

Linguagem
 O artista sempre é um termômetro, na verdade um catalisador da época em que ele vive
José Renato Sedlacek
Para o professor José Renato Sedlacek, 50 anos, publicitário, artista plástico e pedagogo, é através da arte que você se expressa e sensibiliza as pessoas, “afinal a arte também é linguagem, um meio de se comunicar”, complementa. Sedlacek defende que estamos em uma época muito dramática, na qual o mundo está mudando de maneira muito rápida, assim como o comportamento das pessoas.

“Eu falava isso nas aulas, falo que a arte tem o poder de ‘estesiar’ as pessoas, ao contrário de anestesiar. A vida anestesia a gente, a arte ‘estesia’, ela sensibiliza a gente e mais do que isso: não só a arte mas os artistas, com o decorrer do tempo, sempre encontraram uma forma de se expressar. Além da literatura você tem a composição, o desenho, a pintura, as artes plásticas, você tem a expressão corporal pela dança, pelo teatro, pela música; tudo isso faz parte. E o artista sempre é um termômetro, na verdade um catalisador da época em que ele vive. E algumas vezes a tecnologia promove uma evolução. Por exemplo, quando os artistas pintavam, era uma forma de retratar alguém ou alguma paisagem. A partir da chegada da fotografia, os artistas começaram a encontrar outras formas de retratar algo, eles passaram não olhar mais pro óbvio né? Para as pessoas e para a natureza, e começaram a criar. Daí foi o início do modernismo. A câmera fotográfica já fazia isso, então começaram a retratar sentimentos, emoções”, explica Sedlacek.

sábado, abril 06, 2019

Praticantes de corrida de rua crescem 63% nos últimos 4 anos no Estado de São Paulo

Gleysiane Clemente
PUC-Campinas

O número de praticantes de corridas de rua cresceu 63% no Estado de São Paulo nos últimos 4 anos. Passou de 566 mil em 2013 para 922 mil adeptos em 2017. Os dados são da Federação Paulista de Atletismo. O número de corridas anuais também aumentou: passou 323 para 435 no mesmo período, uma expansão de 35%

Em Americana Cicero José da Silva,  aposentado e organizador de eventos no município de 200 mil habitantes, diz que no município há pelo menos 8 corridas anuais e o número de participantes gira em torno de 350 a 1,2 mil pessoas.

A grande maioria das pessoas entram na corrida com o objetivo de emagrecer, porém terminam descobrindo que emagrecer é somente um dos benefícios que o esporte pode trazer na vida do corredor. É o caso da atleta, Roseli Santos de 43 anos: “a gente tem que buscar uma qualidade de vida melhor pra nós. O grupo em si é muito animado, temos um círculo de amizade muito bom e isso aí foi essencial pra eu começar, assim como meu marido também: nós dois começamos juntos e estamos juntos nessa. E senti muita diferença na minha vida, principalmente e nossa disposição é bem maior para o trabalho, pra rotina diária da nossa vida. Além disso, eu consegui emagrecer 10 quilos. Antes eu tinha dificuldade e a aparência melhora né? É uma alegria diferente que a gente sente.”

O grupo Bora lá de Americana


O grupo que Roseli cita é o “Bora lá”, comandado pelo professor João Simões, de 37 anos. Começou há cerca de um ano e meio e desde então vem aumentando o número de participantes: “o que me impressiona é que se encontram pessoas de todas as faixas etárias, desde o mais novo ao mais velho, isso me deixa muito feliz com o projeto”, comenta João.



Seu Osmar

O mais velho do Bora lá é o Seu Osmar, de 64 anos, ele é um exemplo para os mais novos “Eu sinto que o pessoal se espelha muito em mim, pela minha determinação, por tudo o que eu faço. Eu não falto, eu gosto de estar no meio do pessoal e acho que motiva bastante a galera mais jovem", disse.

Jully

No outro lado há Jully Silva, de 14 anos. Ela é a mais nova do grupo, porém isso não atrapalha seu desempenho, muito pelo contrário. Jully começou por acaso para acompanhar a mãe. Hoje é a maior vencedora do grupo, colecionando troféus e pódios: “Ela fazia aulas de ginástica com o professor João e sempre pedia pra eu acompanhar. Hoje não consigo me ver sem correr.” E ela pretende seguir carreira no esporte? Ela ainda não sabe, mas acha a ideia interessante: “Não sei ainda, mas talvez sim, ainda é muito cedo pra pensar nisso. Mas eu gosto da ideia, principalmente depois que comecei a ganhar algumas provas, eu me senti mais competitiva”, completa Jully.

quinta-feira, abril 04, 2019

Bairros em Americana sofrem diariamente com a falta d'água

Camila Fernanda de Paula
PUC-Campinas

Ana Laura Cabral, do Jardim Nossa Senhora Aparecida:
“agora fica praticamente o dia inteiro sem água"
Diversos bairros da cidade de Americana estão há muito tempo sofrendo com a falta d’água diária. Segundo relatos de moradores, a água todo dia acaba na parte da manhã ou na parte da tarde e só retorna de madrugada. Os moradores também se queixam do porquê do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Americana estar demorando tanto para reparar essa situação.

A moradora Luciana dos Santos, 47, dona de casa, do bairro Vale das Nogueiras, que é um dos bairros atingidos, relatou que já faz meses que isso vem acontecendo. “Já tem mais ou menos uns 6, 7 meses. Tem água na parte da manhã, na parte da tarde e à noite não tem, vai chegar só de madrugada”, afirma. A dona de casa completa ainda, que isso traz diversas consequências para seu trabalho do dia a dia, como fazer os serviços domésticos. “Tem que ficar economizando água da caixa, não tem como você tomar um banho, lavar uma louça, lavar roupa então nem pensar né? O DAE  não dá uma explicação, só fica falando que é um problema na bomba mas essa bomba nunca é consertada”, diz a moradora.

Além disso, a moradora Ana Laura Cabral, 72, aposentada, do bairro Jardim Nossa Senhora Aparecida, também atingido pela falta d’água, conta que a situação piorou nos últimos tempos. “Antes acabava menos, agora fica praticamente o dia inteiro sem água”, diz. A moradora também acrescenta que além da demora, quando a água chega, vem poluída. “Fica desde de cedo sem água e quando vem, vem uma água suja, aí vai lavar roupa encarde, aí tem que lavar roupa de novo, não tem nem como você limpar a casa e nem tomar um banho”, diz a aposentada.

Francisco Rangel: o departamento está
fazendo reformas para melhorar a situação
O Coordenador de Comunicação do DAE de Americana, Francisco Rangel, afirmou em entrevista que o departamento está fazendo reformas para melhorar a situação, porém, é um processo demorado, pois a cidade está cerca de 30 anos sem receber nenhum tipo de reforma na parte do sistema de tratamento de água. “Estamos construindo uma nova captação e reformando os novos decantadores, pois os antigos estavam com peças quebradas, e ao todo são quatro decantadores. Para fazer esses serviços precisamos esvaziar um decantador inteiro, que é 25% da água atendida na população, então, se eu quero reformar, eu preciso deixar de abastecer. Já estava previsto uma perda de 15% da água, nós tratamos cerca de 83 milhões de litros por dia, e isso caiu para 75, 76 milhões de litros. Não há uma falta da água consistente, ela é intermitente, então ela pode faltar das 10h até as 22h, pois estamos fazendo manobras para não deixar faltar água na cidade, ela chega com um pouco menos de pressão, mas está chegando. Esse trabalho que estamos fazendo irá melhorar em 10% de volume de água. Hoje Americana consome 82 milhões de litros, e vamos ter 90 milhões de litros de água após as reformas”, conta Rangel.

Rangel observa ainda que as altas temperaturas nos meses de dezembro e janeiro contribuíram para o aumento da falta d’água, pois a população gastava água ainda mais e o sistema não era capaz de aguentar tanto consumo. “O que aconteceu em dezembro e janeiro foram as altas temperaturas, tinha dia em Americana que chegava a 40° C. Com isso, o consumo da água aumentou 10 milhões por dia, de 82 milhões de litros consumidos pulou para 90 milhões, não tem sistema que aguente, eu não posso tirar mais água do rio, meu sistema de tratamento está limitado. Ele não é elástico, não consigo tratar mais água. Quem tomava um banho por dia, passou a tomar dois, as crianças brincavam ainda mais com a água por causa do calor, tinha gente que até jogava água nas paredes para tentar resfriar a casa. Isso também afetou o problema de falta d’água”, diz. Rangel também acrescenta que os canos da cidade precisam ser trocados, pois o material é de ferro, que acumula resíduos com o passar dos anos e, como esses já estão há mais de 30 anos sem serem trocados, encontram-se muito danificados, fazendo com que atrapalhe a passagem da água pelos canos.

Rangel completa que, nesse ano ainda, as reformas estarão finalizadas, isso será um grande fator para que a situação se normalize e o problema de falta d’água diminua. “A nova captação irá inaugurar agora em junho e isso diminuirá drasticamente a falta d’água. Além disso, vamos colocar novos reservatórios, por enquanto temos apenas um e vamos colocar mais dois, que até o fim do ano vai estar pronto. Nos próximos 10, 15 anos, Americana não vai ter mais problemas com a falta d’água”, afirma.