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domingo, maio 12, 2019

Casos de dengue crescem e preocupam Sumaré

Yasmim Temer
PUC-Campinas

Sérgio Geraldo Runin
Sumaré vive uma epidemia de dengue. Os números superam todo o ano de 2018. Segundo dados do governo do Estado de São Paulo, 211 casos já foram confirmados no município. No ano passado o total de pessoas infectadas foram de 33. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, o combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, ocorre por meio de serviços de nebulização.

No ano de 2015, a cidade foi marcada pela pior epidemia desde 1997, com aproximadamente, 14,4 mil casos confirmados. Com a elevação de casos no ano de 2019, a prefeitura fica em estado de alerta e conscientiza a população.

Sérgio Geraldo Runin, coordenador do controle de vetores, explica: “Um grande fator que contribui no aumento dos casos é que as pessoas descuidam, ou seja, elas não se preocupam em evitar o mosquito já que, nos dois últimos anos, tivemos poucos casos. ” Além disso, as áreas que mais apresentam aumento da doença são Área Cura, Matão e Maria Antônia, por serem regiões com grande área verde e periféricas, dificultando a conscientização das pessoas.

O coordenador do controle de vetores pontua que uma pesquisa concluiu que os reservatórios de água e caixas d’água são os recipientes com a maior quantidade de larvas. Fora isso, Rumin explica que a solução é eliminar os criadouros, só assim haverá uma redução da doença. Portanto o coordenador esclarece: “ É necessário explicarmos que eliminar a água que acumula em vasos de planta, pneus, reservatórios, lixos, é o melhor jeito de impedir a evolução do mosquito, consequentemente, o surgimento da doença”.


domingo, maio 05, 2019

Pacientes enfrentam a falta de remédio nas farmácias públicas de Paulínia

Thiago Domingues Vieira
PUC-Campinas

Pacientes de Paulínia reclamam da falta de remédios nas farmácias da rede pública de saúde há meses. Aqueles que não conseguem os remédios são obrigados a comprar. Procurada pela reportagem, a Prefeitura informou que até o final do mês deve haver normalização.

Ana Luíza Vilares, aposentada de 74 anos, foi no dia 25 abril, na UBS Centro para retirar alguns remédios. Porém ela não conseguiu pegar três: "A gente compra o remédio na farmácia", afirmou. Questionada ainda por quanto tempo que ela não consegue os remédios, disse que já faz quatros meses.

Já Maria Aparecida Rodrigues de Souza, confeiteira de 52 anos, conseguiu apenas um remédio em uma receita com seis. Segundo ela, faz dois meses que não consegue esses remédios. Questionada sobre como faz para consegui-los afirmou que compra: "eu ainda dou graças a Deus, por que eu consigo comprar, porque tem muitas pessoas que não têm como comprar ... Um remédio que não poderia faltar no posto, a sinvastatina (medicamento que visa a redução dos níveis de colesterol LDL e triglicerídeos e aumento do colesterol HDL no sangue), não tem" diz.

A Secretaria de Saúde de Paulínia informou, por meio da assessoria de imprensa, que a normalização da situação está prevista para o final deste mês de maio. Segundo o assessor 80% da cesta básica de remédios deverá estar disponível nos próximos 20 dias.

segunda-feira, abril 22, 2019

Campanha da Voz 2019 usa Lázaro Ramos para alertar sobre problemas fonoaudiológicos

Gabriela Magalhães
PUC-Campinas

A fonoaudióloga Vania Gisele Javarini
A Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia lançou, na última terça-feira, dia 16, a “Campanha da Voz 2019”. Estrelada pelo ator Lázaro Ramos, a iniciativa visa conscientizar a população sobre a importância da voz para a promoção da saúde, bem como apresentar sinais e sintomas que favoreçam o diagnóstico precoce de doenças que podem comprometer a qualidade de vida das pessoas. O lançamento foi concebido para coincidir com o “Dia mundial da voz”, ocorrido na mesma data.

Casos de rouquidão ou perda de voz podem ser sinais de doenças mais graves, alerta a fonoaudióloga Vania Gisele Javarini. Ela adverte que situações assim, por mais de quinze dias, podem esconder doenças de maior gravidade.


Javarini recomenda que se procure um otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo. Quanto mais cedo obtiver um diagnóstico, mais chances de evitar problemas maiores, como o câncer de esôfago que, segundo ela, é um câncer que pode ser praticamente evitado se tomado os devidos cuidados. “O câncer de esôfago é bastante agressivo, afeta bastante a qualidade vocal e geralmente acomete pessoas que tem hábito de fumar ou ingerir bebidas alcoólicas”, disse.
Cartaz da campanha com Lázaro Ramos

Vânia Javarini, ainda dá algumas dicas de como preservar e melhorar o desempenho da voz. “Comer maçã todos os dias ajuda na limpeza da mucosa, pois é rica em pectina que tem poder adstringente, além de exercitar a mastigação, proporcionando um relaxamento dos órgãos faciais. Evitar alimentos gordurosos, leite, bebidas alcoólicas e doces, que podem causar refluxo gerando um desconforto no esôfago. E, é claro, beber muita água.” completa.

quinta-feira, abril 04, 2019

Vizinhos criam galinheiro comunitário para espantar escorpiões em Piracicaba

Caroline Vieira
PUC-Campinas

Para combater escorpiões, os vizinhos do Jardim Pacaembu, em Piracicaba se uniram e resolveram criar galinhas em terreno localizado no bairro. A medida, segundo explicaram, foi tomada depois de vários pedidos de providências para a Prefeitura. Cada um doou um pouco de dinheiro para tentar amenizar a situação dos escorpiões com ‘predadores’ que seriam as galinhas.

Segundo a comunidade, o problema com escorpiões vem acontecendo há anos em um terreno próximo abandonado. Mesmo com várias notificações para a Prefeitura, limpezas e dedetizações nunca chegaram a serem feitas pelo dono, inclusive, aproveitando o descuido, entulhos eram jogados por gente de outros bairros. Após a primeira criança do bairro ser picada, os vizinhos do Jardim Pacaembu se mobilizaram para a criação de um galinheiro comunitário.

Camila Botteon Basso, empresária, residente do bairro, conta que encontra em média de 6 a 7 escorpiões por semana em sua casa. Sua filha de 1 ano e 7 meses, na época, teve o braço picado. “Ela estava dormindo comigo na cama e acordou de madrugada gritando muito. Eu tirei o vestidinho e já pensei que podia ser alguma coisa. Na seqüência, ela começou a vomitar muito. Meu marido veio, tirou todo o lençol da cama e já pôs na maquina, mas não encontramos o escorpião, acredito que foi triturado na máquina”, disse. A picada foi notada após a menina ser levada para o banho.

Imediatamente Camila e o marido levaram a criança para a Santa Casa de Piracicaba para tomar soro. “Ela não tinha reação nenhuma, vomitou por um período de uma hora e, em seguida, ficou muito prostrada. Dormiu e não tinha reação. Mas graças a Deus a médica falou que, tanto pelo formato da ferida quanto pela reação, o organismo dela estava conseguindo combater o veneno. Então não tinha necessidade de fazer a aplicação do soro, porque ele poderia também agravar alguma coisa na saúde dela” relata.

Perguntada se outras crianças já tinham sido picadas além de sua filha, respondeu: “Só na minha rua foram três crianças”. Pedreiros que trabalham em obras por perto da casa de Camila também encontram 5 ou 6 escorpiões por dia. “Toda semana a gente ouve falar de um escorpião que foi encontrado” conta. A empresária precisa fazer dedetização da casa e também nos bueiros próximos, pois a prefeitura bem como, não faz manutenção desses.

Os vizinhos não sentiram diminuição na quantidade de escorpiões que vinham encontrando no Jardim Pacaembu, mas a escala permaneceu relativa em comparação com outros bairros em que não foram colocadas as galinhas, dado que, nesses, aumentaram os números de escorpiões. “É claro, a gente quer eliminar, mas não tivemos um aumento no numero de escorpiões no decorrer do tempo. Pelo menos com as galinhas estamos conseguindo manter. E deu uma espaçada mais no tempo que eles aparecem: antigamente era todo dia, agora encontramos duas, três vezes por semana.” analisa a moradora.

Monica Pinto de Oliveira, professora de Zoologia da PUC-Campinas, conta que as galinhas nem sempre darão conta de seus papéis como “predadoras”, já que os escorpiões têm hábitos noturnos e, na maioria das vezes, se escondem durante o dia para à noite sair para se alimentar e reproduzir. As galinhas com seus hábitos diurnos não garantiriam 100%, mas poderiam ajudar parcialmente como meio de combate.

“Aqui na nossa região existem dois tipos de escorpião, conhecidos popularmente como escorpião marrom e escorpião amarelo, Tityus bahiensi e Tityus serrulatus, respectivamente. O amarelo é o mais perigoso e seu veneno, que é neurotóxico, pode matar. Crianças e pessoas de idade são mais sensíveis, não têm tanta resistência, então pode ocorrer a morte”, disse a zoóloga . A professora procurar imediatamente hospitais como a Unicamp, que têm soro antiescorpiônico. É aconselhável colocar o animal dentro de um vidro (com as mãos cobertas ou com uma pinça), colocar álcool e levar ao hospital para a identificação da espécie.

Além da dor no local da picada, podem ocorrer sintomas como náuseas, suor intenso, dores abdominais, vômitos, aumento ou diminuição da pressão, diarréias, taquicardia, insuficiência cardíaca e muitas vezes edema pulmonar. Casos graves culminar com a morte da pessoa atacada.

Monica Oliveira recomenda ainda algumas práticas básicas para a prevenção de escorpiões: fechar a porta com protetor, vedar janelas; ao calçar um tênis, vestir uma blusa ou camiseta que esteja dobrada no guarda roupa, abrir e bater para não correr o risco de haver escorpião; verificar camas e sacudir lençóis, principalmente à noite. A profissional ainda indica procurar diretamente um Centro de Zoonoses, caso a prefeitura não esteja resolvendo o problema.

“A gente espera que haja pelo menos a manutenção desses terrenos que estão sendo abandonados: leis mais severas para donos que não tomam conta, para que eles façam a limpeza devida. Há também os bueiros. O bueiro é uma responsabilidade da prefeitura, não minha. E eu acabo comprando veneno e jogando duas ou três vezes por semana para tentar diminuir o risco”, reclama Camila Basso. 

“Tenho três filhas e a menorzinha já foi picada porque o risco é muito grande, a maioria, não sei por quê, eu encontro sempre no quarto delas. Já encontrei em cima da cama, dentro de gaveta... é uma situação bem complicada, bem arriscada. A gente se sente impotente e insegura. Por mais que façamos tudo que está ao nosso alcance, sem ter ajuda da prefeitura fica difícil. Complicado!” finaliza a empresária.

domingo, março 31, 2019

Ação “VAMOS! Vivendo com ELA” realiza atendimento gratuito à população

Lara Raphael Costa
PUC-Campinas

Tenda do Instituto Paulo Gontijo na Lagoa do Taquaral
O Instituto Paulo Gontijo, em parceria com a Philips Fundation, realizou neste sábado, dia 30, atendimento gratuito e esclarecimentos para a população no portão 2 da Lagoa do Taquaral sobre a doença ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica).

A iniciativa, denominada “VAMOS! Vivendo com ELA”, abordou uma patologia ainda pouco conhecida, que é mais comum em pessoas com idade média entre 50 e 70 anos, e há uma incidência maior de diagnósticos em homens.

A diretora executiva do Instituto Paulo Gontijo, Silvia Tortorella, presente no evento, explicou que a ação surgiu a partir da necessidade da população do interior em alcançar o amparo que o Instituto fornece na capital: “Nós ficamos em São Paulo e as pessoas que estão no interior nem sempre têm acesso e condições de ir a São Paulo, ainda mais quando tem um diagnóstico na família de uma doença como é a ELA, que é muito difícil. ” A diretora ressalta que a ação itinerante é um projeto-piloto e que eles estudam a possibilidade de levá-lo ao Brasil todo.

A diretora executiva do Instituto Paulo Gontijo,
Silvia Tortorella: "O principal é chegar mesmo na
conscientização dessa população"
Tortorella ainda informa que o objetivo principal do evento é alcançar o maior número de pessoas possíveis: “atingir o máximo de pessoas, na massa, na sociedade, para que elas saibam que a doença existe. O principal é chegar mesmo na conscientização dessa população para que tenham uma atenção maior a alguns sintomas, para que a gente possa cuidar dessa população o quanto antes”.

A diretora executiva do Instituto Paulo Gontijo explica que a ação, além de atendimento para os portadores da doença, traz também esclarecimentos aos familiares desses pacientes, oferecendo diversos serviços: “O projeto hoje funciona com assistência social, nutrição, advogada e algumas coisas de fisioterapia respiratória. Então a gente vem trazendo um guia de direitos sociais, uma agenda de pacientes e material específico para essa demanda que não chega até vocês de informação”, destacou.

O projeto mobiliza voluntários: “Temos uma equipe grande de voluntários. A gente tem um cadastro de e-mail, é só mandar pra lá dizendo que você quer ser voluntario e a gente cadastra conforme a sua profissão, o seu desejo, ou o seu dom de ser voluntario. A gente jamais fecha a porta para um voluntario”,destacou Tortorella.

Durante todo o dia, diversas famílias estiveram presentes no atendimento fornecido pelo instituto. Na parte da manhã passou pela tenda Flávia Tafine Martins dos Santos, casada com Cláudio Sérgio Souza Martins dos Santos, de 57 anos, que tem ELA. Flávia conta que a família recebeu o diagnóstico em 2010 depois de Cláudio ter sentido alguns dos sintomas “Foi muito impactante, porque a gente tinha altos planos de vida e meio que interrompe”, disse.

Flávia Tafine Martins dos Santos rodeada
por voluntárias da entidade
Flávia dos Santos ressalta que, apesar do impacto da doença na família, eles seguiram os planos e tentam, além de dar uma maior qualidade de vida ao marido, motivar outras pessoas que estão vivendo a mesma situação: “A gente tenta o máximo de qualidade de vida para ele e tenta viver. Uma das coisas que eu sinto é que a gente tem uma qualidade de vida porque a gente aceita a doença, meu marido nunca ficou revoltado, eu me questiono tem horas, mas aí passa de ‘por quê’ para ‘pra quê’. Então eu vejo que tem uma corrente do bem muito viva em volta da gente e isso é ótimo para ele, para mim para os meus filhos, e para quem está perto da gente. É difícil? É, Mas sim, existe vida além da ELA”, disse.

Flávia ainda demonstra sua gratidão e apreço pelo trabalho que o Instituto realiza e reitera a importância que essa ação tem na vida das pessoas que convivem com essa doença “Eu acho muito bonito o que eles fazem porque eles dão um suporte pra gente online, absurdo! Você manda e-mail, se você entra no site deles, eles estão prontos. Eu acho que isso é muito importante porque é uma doença muito rara. Poucas pessoas conhecem e as pessoas não querem saber, não querem ir atrás. Eu acho muito importante poder dar apoio para as pessoas, para ajudar os que têm essa dificuldade de correr atrás das coisas e para dar uma conscientização pro governo e para outras pessoas que existe sim vida além da ELA.”

Flavia admite que não é fácil: “Eu nunca vou abandoná-lo, eu adoro ele, a única dificuldade é você ver a pessoa que você ama se desfazendo na sua frente. Isso me dói, assim como saber que eu estou fazendo tudo o que eu posso mas, mesmo assim, não é suficiente para melhorar, porque não tem melhora”, afirmou.

A ação que é itinerante segue para a próxima cidade e a diretora executiva e sua equipe fazem um balanço positivo em relação ao projeto “Foi muito além do que a gente imaginava, é emocionante você estar nesse projeto, vendo a real diferença que a gente faz quando atendemos famílias como essas.”

Movimento antivacina preocupa infectologistas

Yasmim Temer do Amaral
PUC-Campinas

O ressurgimento de casos de sarampo no Brasil tem sido relacionado por autoridades de saúde com o crescimento do movimento antivacina. Viviane Pena, proprietária de uma clínica de imunização, evidencia que um motivo muito forte que leva as pessoas a se posicionarem contra ou a favor em relação às vacinas é que há pessoas que só aceitam aquilo que coincide com suas ideologias.

O movimento, que vem ganhando força diariamente, é preocupante em âmbito mundial e para profissionais da saúde. Ângela Gobbo, médica, pontua que movimentos como esse terão um efeito devastador na saúde.  Além disso, ela destaca que as vacinas são de extrema importância. É de responsabilidade de os pais estarem atentos ao calendário de vacinas dos seus filhos, pois além de os protegerem, evita que doenças que foram erradicadas ou que estavam sob controle retornem. 

O Ministério da Saúde especula que o ressurgimento de doenças como o sarampo pode ser devido aos impactos dessas manifestações. Além disso, a preocupação com a diminuição da cobertura vacinal é alarmante, acreditando-se que cada vez mais o movimento está contaminando a população, e isso faz com que elas percam o medo de contrair doenças preveníeis por meio da imunização.

Casos de dengue no Brasil mais que duplicam em 2019

Vitória Gregório Rizzoni
PUC-Campinas

O Ministério da Saúde confirmou, em nota oficial, que o número de casos de dengue no Brasil, em janeiro deste ano, dobrou em comparação ao mesmo período de 2018. Até o dia 2 de fevereiro de 2019, registrou-se um aumento de 149%, excedendo 21.992 para 54.777 casos prováveis da doença.

Quando analisada a incidência, em março, os casos chegam a 229.064, isto é, um crescimento de 264% . Em comparação ao número de óbitos, o país registrou, até o momento, 62 mortes. Acre, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, DF e Mato Grosso do Sul tiveram um aumento significativo quanto ao número de casos, com taxa de incidência de 100 casos por 100 mil
habitantes.

No interior de São Paulo a situação é alarmante. Foram registados em Campinas 556 casos de dengue tipo 2. Outras cidades da região também sofrem com o foco da doença, Bauru, por exemplo, foram registrados 1.503 casos, sendo 12 o número de óbitos. Araraquara, Limeira, Pedreira e Franca, também encontram-se em estado de alerta .

O infectologista Danilo da Fontoura Ponchet, do Hospital das Clínicas da Unicamp, explica que a infecção por dengue pode ser assintomática (sem sintomas), leve ou grave, podendo levar a  óbito. O primeiro indicio da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início inesperado com duração de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. O médico alerta “ao manifestar os sintomas, é fundamental buscar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos concedidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).”

Como evitar a proliferaçao dentro de casa?
• Não acumule lixo dentro de casa
• Verifique o fluxo de água parada nas calhas
• Verifique o acúmulo de água em pneus, latas e garrafas
• Providencie telinhas para tapar os ralos
• Piscinas fixas devem ter a coloração frequente da água, caso forem tapadas, verifique se existe acúmulo de água na lona
• Colocar terra nos pratinhos dos vasos e mantê-los secos.

Casos de HIV positivo crescem 703% em 10 anos entre pessoas de 15 a 24 anos

Paloma Pereira Ruiz

PUC-Campinas

De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de 2018, publicado pelo Ministério da Saúde, no Brasil os casos de HIV entre jovens de 15 a 24 anos aumentaram 700% no período de 2007 a 2017.


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SexoFaixa etáriaNúmero de casos em 2007Número de casos em 2017Aumento percentual
Masculino
15-191051.7241.641,90%
20-245616.6701.188,95%
Feminino
15-19227,00304133,92%
20-24427,00583136,53%
TOTAL1.3209.281703,11%

Na região metropolitana de Campinas, a situação não é diferente, conforme dados do Programa IST/Aids de 2016, a taxa de detecção de HIV entre jovens de 15 a 24 anos subiu 29% em 10 anos, uma vez que esta faixa etária registrou um aumento de 2.3 de infectados desde 1996 até 2016. A cidade registrou também 8.397 casos de HIV de 1982 a novembro de 2017. A região metropolitana de Campinas registrou, em 2016, 207 óbitos pela infecção; desses, 134 eram homens enquanto 73 eram mulheres.

 Todavia, mesmo que o cenário acima apresente certo espanto, é importante ressaltar que de modo geral a taxa de mortalidade por aids no país sofreu um decréscimo de 15,8% entre 2014 e 2017. Pois, ao contrário do que o HIV significava nos anos 1980, onde várias pessoas, inclusive personalidades famosas, morreram pela falta de tratamento apropriado, e outras inúmeras sofreram pela ausência de conhecimento, atualmente as condições para um indivíduo com HIV são completamente diferentes. Hoje há vários locais onde se fazem teste para esta e outras sorologias sem custo nenhum além de ter tratamento adequado disponibilizado gratuitamente pelo SUS. Existe também bastante informação ao alcance das pessoas seja através de site/blogs ou até canais no youtube nos quais pessoas que têm o vírus falam abertamente sobre o assunto, o que ajuda a desconstruir preconceitos e a democratizar o conhecimento.

Janelas de informação
A internet abriu inúmeras possibilidades para a geração atual, e uma delas é a facilidade de acesso a uma vasta quantidade de conteúdos entre os quais pode se encontrar variados materiais sobre o HIV. Como é o caso do  youtube,  plataforma digital de vídeos, escolhida por Gabriel Comicholi, 23 anos, para compartilhar suas vivências com o HIV.



“Descobri o HIV com 20 anos, no ano de 2016, não tenho ideia de onde ou de quem o vírus possa ter vindo, mas imagino que seja de relação sexual. Sempre lidei de uma maneira muito positiva, tentei ver o lado bom de tudo isso. É logico que o momento 'bad' acontece, mas comigo não durou muito, tomei coragem, resolvi me expor e levantar essa bandeira na internet, hoje tenho 23 anos, indetectável, e espalho informação por aí” disse Comicholi. Ele possui uma conta no youtube, onde divide com seus mais 37 mil inscritos suas experiências com HIV, tendo um quadro chamado HDIÁRIO onde relata seu cotidiano como HIV positivo.

Desde os primeiros registros dessa infecção, por volta de 1977, até os dias de hoje, muitas coisas mudaram em termos de tratamento, abordagens e consciência a respeito do tema. O infectologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Francisco Hideo Aoki, destaca a evolução no diagnóstico e no tratamento da infecção: “Muito  mudou em  termos  de diagnóstico preciso, exames confirmatórios, tratamento com combinação de drogas da doença de base -a infecção pelo HIV- , acompanhamento pelo sistema público, monitoramento da infecção com Rede de Laboratórios para realização de quantificação de carga viral, para ver a eficácia do tratamento antiretroviral, quantificação de linfócitos TCD4 para monitorar o tratamento,  disponibilização  pelo  sistema público  de medicamentos  para o  HIV, para as infecções oportunísticas, os locais de internação , os hospitais-dia, a Rede de laboratórios espalhados pelo Brasil  entre muitas outras coisas. A situação melhorou muito”, destacou.

Além disso, a qualidade de vida de um soropositivo, que faz acompanhamento médico e que tem acesso a um tratamento apropriado é satisfatória. Segundo Aoki, ”para quem tem acesso ao acompanhamento, ao tratamento e as constantes orientações que podem receber dos serviços de saúde aos quais estão ligados, com pessoas que têm ótima aderência ao tratamento tempos bem superiores e mais de 2 /25 anos de sobrevida”, afirmou o médico.

Há também possibilidade de, com o tratamento adequado, o vírus no paciente venha a se tornar indetectável. “Em termos de quantificação de carga viral do HIV1, trata-se de não ter um número de cópias de RNA viral que sejam detectáveis, pelo padrão estabelecido pela metodologia vigente e de acordo com a técnica de biologia molecular. Atualmente, em toda a Rede de Detecção de Carga Viral do HIV1, com mais de 80 laboratórios executores dessa metodologia, resultado indetectável significa que há menos que 40 cópias de RNA viral do HIV1/mm3”, comenta.

No entanto, sobre o aumento de casos de HIV entre jovens no Brasil, Francisco H. Aoki comenta: “uma das razões (para este fenômeno) pode ser o abandono de práticas de prevenção. Essa população poderia ser alertada por propagandas, por disseminação massiva de informações. Desde o início da epidemia, muita propaganda se fazia e, na medida em que a política de prevenção, de tratamento, de monitoramento da infecção, entre muitas outras coisas foram melhorando, deu-se a impressão de que os jovens que não vivenciaram o boom da Aids não têm noção da gravidade do processo infeccioso e quão devastadora pode ser a Aids”, afirmou.