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sábado, junho 15, 2019

Protesto mobiliza manifestantes em Indaiatuba

Guilherme Dias
PUC-Campinas

Manifestantes concentrados na praça Prudente de Moraes
Os protestos da última sexta-feira, dia 14, encabeçados pelas centrais sindicais, contra a Reforma da Previdência, começaram de madrugada em Indaiatuba. Às 4h, foi realizado pelos manifestantes um bloqueio em frente à Toyota, na estrada General Motors, no bairro Caldeiras. Segundo a organização do movimento, cerca de mil pessoas estiveram no local apoiando o ato.

Mais tarde, às 9h, houve uma concentração na Praça Prudente de Moraes, no Centro da cidade. Cerca de 100 pessoas participaram, segundo os organizadores, a guarda civil estimou que o número era de 70 pessoas. Após os discursos, que duraram cerca de três horas, o grupo partiu para a sede da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) na Rua Cinco de Julho, de onde seguiram até Campinas.

“Acredito que a nossa principal discussão seja o debate sobre a consciência de classe, porque os grupos que são a favor da Reforma da Previdência são setores minoritários, que possuem muita condição econômica. São para essas pessoas que a Reforma da Previdência atua. Esse ato, que ocorre hoje em todo o Brasil, reforça essa discussão sobre consciência de classe, de como a sociedade se organiza e para as pessoas mais pobres entenderem que essa reforma da previdência é um ataque aos nossos direitos” disse Felipe Brilhante Maropo, um dos organizadores, professor de sociologia e filosofia na rede estadual de ensino. O movimento teve apoio de instituições sindicais e dos partidos PSOL e PT.

segunda-feira, abril 22, 2019

Contratação feminina aumenta na RMC, mas aponta também salários menores

Crisane Marcelino Passos
PUC-Campinas

Fonte: Observatório PUC-Campinas
A participação da mulher no mercado de trabalho tem vivido um momento contraditório. Entre 2010 e 2018, 32 mil de 37 mil cargos disponibilizados foram ocupados por mulheres na Região Metropolitana de Campinas, segundo as informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Demitidos). Apesar disso, as pesquisas apontam que tal preferência pela mão de obra feminina vem acompanhada de uma redução de custos na contratação de mão de obra.

Segundo o estudo temático realizado pelo Observatório PUC-Campinas, “Trajetória das Mulheres no mercado de Trabalho na Região Metropolitana de Campinas”, sob o comando da professora doutora Eliane Navarro, do corpo docente da PUC-Campinas, os postos de trabalho com piores remunerações, seja devido a estrutura hierárquica de cargos e salários, seja devido ao segmento de atividade econômica, são ocupados por mulheres, o que embute uma estratégia de redução de custos.

Fonte: Observatório PUC-Campinas
Em entrevista, Navarro comparou essa lógica estratégica à reprodução da vida familiar para o mercado de trabalho, em que as mulheres assumem postos de cuidadoras e os homens assumem postos mais importantes, como os de tomadas de decisão, e ressaltou também que essa prática ganha novos reforços à medida que a onda conservadora, presente nos atuais governos mundiais, se expande.

O estudo mostra que as mulheres tendem a ser alocadas em departamentos com menor capacidade de remuneração. É no processo seletivo que ocorre a discriminação. Segundo a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), as mulheres têm sido alocadas em postos de trabalhos pertencentes às categorias intermediárias nas estruturas ocupacionais. Por exemplo: trabalhadores nos serviços e vendedores de comércio, trabalhadores técnicos de nível médio e trabalhadores de serviços administrativos.

O período entre 2010 e 2018 é marcado por intensa instabilidade macroeconômica e política. Ainda assim a RMC apresentou um saldo positivo de 37.149 postos de emprego. Como já citado anteriormente, esse saldo tendeu a apresentar um critério de admissão mais concentrado na mão de obra feminina. O primeiro fator explicativo, segundo Eliane Navarro, se dá devido a dinâmica setorial. Numa perspectiva mais detalhada, os maiores saldos negativos foram observados na Indústria de Transformação e na Construção Civil, setores onde prepondera a participação masculina. Outro fator a ser considerado relaciona-se com o fato de que os salários femininos dos admitidos situam-se, aproximadamente, em torno de 80% dos masculinos, segundo dados do Caged.

Segundo a Rais, por escolaridade, a ampliação da participação da mulher também pode ser notada. A disparidade de remuneração inclina-se a ser na faixa mais escolarizada. Uma mulher contratada com superior completo recebe cerca de 65% do salário pago ao homem da mesma escolaridade.

Caso as mudanças previstas na reforma da Previdência sejam aprovadas, a situação da mulher tenderá a fragilizar ainda mais, uma vez que, não terá condições de garantir o valor razoável de aposentadoria. Os principais pontos de debates são: idade mínima; tempo de contribuição de 40 anos para ter acesso a 100% do teto do benefício; aposentadoria rural e benefícios de contribuição continuada (BPC) inferior ao mínimo.

Com essa tendência no mercado de trabalho, a flexibilidade que virá com a Reforma Trabalhista, fará com que contratos intermitentes e parciais sejam mais constantes. Além do mais, com o avanço do desemprego e a informalidade, a desestruturação do emprego formal, ao desestabilizar a base de contribuição do INSS, colocará em xeque o período de transição.