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domingo, abril 07, 2019

Após três meses em queda, setor industrial volta a crescer em Campinas

Ingrid Fernanda Freire Lopes
PUC-Campinas

Após um período de queda por três meses consecutivos, a pesquisa de Nível de Emprego Regional, medido pelo Ciesp-Campinas, apontou que no mês de fevereiro a cidade se manteve estável, com variação positiva de 0,03%, o equivalente a aproximadamente 50 novos postos de trabalho.

De acordo com Duncan Chaloba, mestre em Economia e professor na PUC-Campinas, no cenário atual, após a posse do Presidente Jair Bolsonaro, o mercado sinalizou melhoras nos índices econômicos, tanto pela redução do dólar, quanto pela variação da Bolsa de Valores. Caso o presidente eleito consiga concretizar as mudanças positivas que indicou para a economia do país, ocorrerá maior investimento no setor industrial e, consequentemente, o setor voltará a gerar empregos de maneira estável. 

Chaloba ressalta entretanto que, se o cenário econômico permanecer o mesmo, a tendência é de que a situação piore. No momento, empresários e investidores estão aguardando para verificar se o presidente eleito terá apoio no Senado e qual será o posicionamento adotado pela equipe do Ministério da Economia.

Atualmente o acumulado anual em Campinas é de -0,25%, equivalente à diminuição de 400 postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, a cidade apresentou o índice acumulado de -0,57%, representando a queda de aproximadamente 900 postos de trabalho. 

Com relação ao mesmo período de 2018, o índice demonstra piora, visto que em fevereiro de 2018 o resultado foi positivo em 0,17%. O gráfico abaixo demonstra o desempenho das variações mensais no período de fevereiro de 2018 a fevereiro de 2019.

Segundo os resultados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial referente ao mês de fevereiro cresceu em 0,7% frente a janeiro, eliminando a queda de 0,7% do mês anterior, refletindo um aumento dos postos de trabalho na área industrial.

sexta-feira, abril 05, 2019

Estudo aponta queda na média salarial na RMC

Gustavo Goncalves Ferreira
PUC-Campinas

Uma pesquisa feita pelo Observatório da PUC-Campinas, publicada no dia 27 de março, mostrou uma queda de 7% nos salários em geral na região e que os mais afetados pela situação foram os universitários recém formados e os idosos.

De acordo com a Eliane Rosandiski, professora da PUC-Campinas, economista e responsável pela pesquisa, o principal fator do fenômeno observado decorre da concentração nas atividades de serviços. ”Com relação à queda nos salários, ela se deve à dinâmica do emprego ser concentrado nas atividades de serviços, que tradicionalmente a produtividade é mais baixa e remunera menos que a atividade industrial”.

A queda na média dos salários dos idosos é a maior em muitos meses. Para a professora Rosandiski, “os mais velhos são vítimas da rotatividade: eles têm maiores salários e são substituídos por menores salários de jovens recém-formados”.

Dinalva do Rosário, cozinheira, 67 anos,
diz que está cada vez mais difícil arranjar
emprego com um salário decente
Dinalva do Rosário, cozinheira, 67 anos, diz que está cada vez mais difícil arranjar emprego com um salário decente na região: “sinto que estou cada vez valendo menos, as coisas estão muito difíceis“. Dinalva começou a oferecer buffet para festas, por conta própria, para poder ajudar nas despesas da casa. Não só o salário dos acima de 65 anos vem caindo, a taxa de emprego anda bem difícil na região: em dezembro o saldo de emprego dos idosos no RMC foi de  -165.

Patricia dos Reis é uma das que sente o
fenômeno da queda dos níveis salariais
Jovens com ensino superior completo são a outra categoria que mais perdeu salário em fevereiro. Como os recém-formados vem cada vez mais aceitando um salarios menor para substituir os mais velhos, a média dos salários deles vem caindo  Patricia dos Reis é uma das que sente o fenômeno da queda dos níveis salariais na região: “Cada vez mais reduzem os salários que me oferecem e eu sou obrigada a aceitar para poder trabalhar”.

A professora Eliane Rosandiski diz que não é possível prever uma perspectiva de crescimento “ Não é possível afirmar nada, pois dentro dos serviços a atividade de ensino teve melhor desempenho e ela ainda é sazonal”. As pesquisas são feitas mensalmente pelo Observatório da PUC-Campinas.