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segunda-feira, abril 22, 2019

Festival mistura chocolate com gordices de Minas e atrai 8 mil pessoas a Holambra

Paula Perez
PUC-Campinas

Praça do Moinho de Holambra: todo tipo de 'gordice'
O Festival de Chocolate de Holambra fez as imediações da Praça do Moinho encher neste fim de semana. Realizado no último sábado (20) e domingo (21), o evento teve entrada franca e ocorreu das 12h às 22h. Segundo a organização, 8 mil pessoas prestigiaram o evento, que contou com 40 food trucks.

Apesar do nome, a comida típica mineira teve bastante destaque. Artesanatos, vendas de passeios turísticos, shows e atrações para o público infantil também tiveram lugar garantido. Para quem não curte chocolate, a barraca de doces mineiros foi uma opção atraente.

Túlio Henrique Waeger, de 46 anos, organizador do evento, afirmou que o festival já existe em outros lugares com o nome “Gordices di Minas” e que aproveitou a Páscoa para trazê-lo para Holambra dando outro nome como destaque, atraindo também o público amante do chocolate.

Expositores na Praça do Moinho:
8 mil pessoas prestigiaram evento
“A gente traz a culinária mineira, desde as mais simples até as mais elaboradas, é uma cozinha bem rica. E em relação ao Festival de Chocolate, procuramos trazer um pouco da variedade que o doce nos proporciona, desde a empada de chocolate, até um salame. Teve também fondues, doces alemães com chocolate, entre outros”, destaca Waeger.

Gabriel Oliveira, de 18 anos, veio do sul de Minas Gerais. Ele sempre quis conhecer Holambra e viu no evento uma oportunidade. “Comidas ótimas, festa muito legal, principalmente pela beleza e diversão da cidade pequena e aconchegante”, disse.

Alfredo Gomes, de 40 anos, destacou: “é a segunda vez que venho à cidade, que acho muito limpa e bem organizada. Confesso que nem sabia que estava rolando o festival, mas gostei bastante, bem organizado. Além disso, aqui é um lugar bem legal, indico pra quem quiser vir, é um excelente passeio”.

domingo, abril 21, 2019

Festival regional reúne Apaes de 18 cidades paulistas em Americana

Camila Fernanda de Paula 
PUC-Campinas

Apresentação dos alunos da Apae de Americana
Na última quarta-feira, dia 17, a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Americana e o Conselho Regional da Apae de Nova Odessa, com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Americana, realizaram o "Festival Regional Nossa Arte 2019” em Americana, no teatro municipal Lulu Benencase (R. Gonçalves Dias, 696 - Jardim Girassol, Americana).

Nessa edição do festival, 18 Apaes da região de Nova Odessa e Mogi Mirim se apresentaram. Depois dessa apresentação, os ganhadores vão para a classificação estadual, que vai acontecer em Valinhos no mês de julho e depois para a nacional, que vai acontecer no mês de novembro em Manaus.

Alunos da APAE de Santa Bárbara D'Oeste
No evento, os alunos que possuem alguma deficiência intelectual, associada ou não a outras deficiências, puderam expor seus talentos artísticos em um ou mais gêneros indicados pela regulamentação do festival: música, dança, dança folclórica, artes cênicas, artes visuais, artes literárias e artesanato.

A coordenadora de comunicação da Apae de Americana, Quelis Zacardi, contou, em entrevista, a importância do evento: “o festival é realizado desde 1991. É uma ação das federações nacionais, estaduais e regionais das Apaes. Há as classificatórias regionais, estaduais e nacional. É um festival muito importante porque ele coloca em foco a pessoa com deficiência e suas potencialidades. São apresentações teatrais e musicais. Os alunos recebem todo apoio e treinamento dos professores e voluntários”, disse. Quelis também conta que o objetivo do festival é a inclusão social, mostrar que os alunos da Apae são capazes.

Sueli A.S Bonani, professora pedagoga da Apae de Americana
Sueli A.S Bonani, professora pedagoga da Apae de Americana, conta que a arte pode desenvolver o aprendizado do aluno e ajudá-lo a se expressar melhor. “O trabalho com a arte desenvolve todo pensamento deles, a motora, psicológico, relaxamento, envolve tudo. A gente vê o interesse que cada um tem, o despertar dele, e com isso a gente vai descobrindo o que cada um tem, isso é muito mais valioso e importante. Conseguimos descobrir coisas fantásticas dentro deles, um despertar muito bom, desenvolve o aprendizado, a capacidade, a atenção, a parte motora, a gente não imaginava como isso é importante” afirma.

Exposição de artes plásticas dos alunos da Apae
Bonani completa que, ao ensinar alunos com alguma deficiência intelectual, obtém um novo aprendizado e alguma lição de vida a cada dia. “O amor é muito grande, amo demais, é um aprendizado, uma lição de vida para qualquer um e para qualquer relacionamento que tiver com ele, é especial, fora de série. Eu já estou há 24 anos na Apae e a gente tá sempre aprendendo todo dia”, diz Bonani.

O evento foi aberto ao público, e os pais e familiares dos alunos tiveram a oportunidade de vê-los demonstrar todos os seus talentos artísticos no palco. Marizete Perpétua da Silva, mãe de Richard da Silva, aluno da Apae de Americana que também se apresentou no festival, contou em entrevista que o trabalho com a arte ajudou o seu filho com a timidez e a se relacionar melhor. “Está incentivando o crescimento e o desenvolvimento dele, eu só tenho a agradecer tudo isso, meu filho era muito tímido. Ele está muito desenvolvido, abraçando essa arte de dançar e de se apresentar. Então, para mim, está sendo maravilhoso tudo. Richard é muito retraído e ele está se soltando agora através da dança, através da peça que ele vai representar, isso tá ajudando bastante no desenvolvimento dele”, afirma.

Ana Laura Bernadi e Flávia Costa, coordenadora da APAE de Mogi Mirim
A aluna da Apae de Mogi Mirim, Ana Laura Bernadi, se apresentou ao lado de seus colegas. Ela contou que adora assistir as apresentações de dança e que se emocionou muito. “Foi boa a sensação de estar no palco, fiquei bastante feliz. Eu adoro dançar e gosto da fanfarra, nós dançamos bastante e nos divertimos um pouco também. Adoro assistir as apresentações e a dança da cadeira de rodas me emocionou”, contou Ana Laura.

sexta-feira, abril 12, 2019

Campinas Anime Fest chega em sua 22ª edição este ano

Caroline Mendes Moreira
PUC-Campinas

O Campinas Anime Fest (CAF), é o maior evento de cultura Pop do interior paulista e chega em sua 22° edição neste domingo, dia 14, no Colégio Liceu Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora (Rua Baroneza Geraldo de Resende, 330 - Guanabara, Campinas - SP, 13075-270).

O Campinas Anime Fest passou a ser mais que  um evento de anime. O CAF teve diversas mudanças desde a sua primeira edição, que aconteceu no ano de 2010. De acordo com Ricardo Mazucato, sócio-fundador da Avalon Eventos, responsável pela realização do CAF, "a cultura pop japonesa, que predominava nos anos 2000 no mercado de eventos de cultura jovem do Brasil, foi dando espaço para outros perfis de interesse do público, como os filmes de Super Heróis da Marvel e DC, e por consequência os quadrinhos norte-americanos, além do crescimento do mercado de jogos eletrônicos, do pop coreano e dos digital influencers, popularmente conhecidos como Youtubers. A maior diferença de 2010 pra cá é absorção desses novos temas no conjunto de atrações do evento", afirmou.

Este ano, o CAF traz sete convidados especiais. Entre eles estão dubladores, Youtubers, um pro-player de League of Legends e um apresentador de e-Sports, o gORDOx, que irão interagir com o público durante o evento.

O festival também contará com uma Arena Games, voltada para os torneios de e-Sports, mas também com freeplays, e premiando os vencedores com medalhas e ingressos para os próximos eventos. Além de ter um palco exclusivo para apresentações de K-Pop e cosplay. Estes torneios são gratuitos ao público e as inscrições estarão abertas até o 12:30 horas no dia do evento.

O Campinas Anime Fest acontece das 11:00 horas até às 19:00 horas no domingo. Os ingressos estarão à venda no site até o dia 13 de abril às 00:00 horas, mas também serão vendidos no dia do evento, mas por um valor mais alto.

Para mais informações, visite o site do Campinas Anime Fest: https://www.campinasanimefest.com.br/

terça-feira, abril 09, 2019

TEDx Campinas anuncia que próximo evento será maior



Patrícia Kuae Neves
PUC-Campinas

O apresentador Márcio Ballas
O Teatro Castro Mendes lotou na manhã e na tarde de sábado, dia 6, para assistir à maratona de 15 palestras do TEDx Campinas. Depois de 8 horas de evento com diversas palestras e muitas emoções do público e dos palestrantes, Mario Gioto, organizador licenciado do TEDx Campinas anunciou que o evento de 2020 será muito maior podendo comportar em torno de 2 a 3 mil pessoas.

Com o esgotamento rápido dos ingressos, cerca de duas horas e meia apenas, muitas pessoas não puderam participar do evento e por ter muita procura e interesse demonstrado no evento organizado no facebook, os organizadores procuram fazer o evento em um espaço que comporte um número maior de pessoas. O local e a data não foram divulgados.

As expectativas das pessoas antes do início do evento se baseavam no que elas assistiam pelos vídeos na internet. Segundo a analista de mídia Malu Azzoni, de 23 anos, que assistia o evento pela segunda vez, ela esperava ver ideias de vários temas.

O jornalista Rafael Gnipper: "é interessante ver
a movimentação das pessoas".
Já o jornalista Rafael Gnipper, de 28 anos, destacou: "as palestras do TED são muito referenciadas e é muito bacana ter um evento desse tipo em Campinas, um espaço para discussão de ideias. É interessante ver a movimentação das pessoas em torno, com o evento lotado, isso demonstra a falta desse tipo de evento em Campinas".

O evento deste ano foi organizado aos mínimos detalhes. O tema “aqui tem gente” foi abordado das mais diversas e criativas formas. Por exemplo a entrada das pessoas ao teatro que precisavam receber o símbolo de check (✓) fazendo apologia às verificações nos sites de internet para saber se “você é um robô” e garantir que ali tinha uma pessoa, que ali tinha gente como o tema sugeria.

O evento foi comandado pelo mestre de cerimônias Márcio Ballas que, com carisma, humor e improvisação, levou o público animado até a última palestra. Ocorreram muitos momentos de interação desde organizadores que fizeram o público interagir com o tema perguntando questões mais pessoais envolvendo medo, arrependimento e sofrimento, até o próprio palestrante que pediu a interação da plateia para apresentar sua música. O evento reuniu pessoas de diversos lugares, inclusive estrangeiros vindos do Peru, Bolívia, Equador, Venezuela e Colômbia.

Todas as 15 palestras trouxeram ideias que impactaram as pessoas de diversas formas. Dentre elas, algumas provocaram mais o público, como a de Varlei Xavier emocionando a todos com sua ideia de escolas precisarem de palhaços tanto quanto hospitais; Kamel Zinou, refugiado da Síria, que contou sobre sua história de luta ao fugir de Alepo e se adaptar ao Brasil; a de Lucas Soares, um autodidata que aprendeu música e a levou no projeto chamado Anelo para um bairro pobre de Campinas concluindo que “onde há arte, não há espaço para a violência”; o grupo Não Recomendados, uma das atrações musicais do evento que trouxe manifesto contra as forças machistas, racistas e homofóbicas; e Guilherme Bara, deficiente visual que falou sobre inclusão social de deficientes e respeito.

Uma das palestras mais marcantes foi a de Guilherme Bara por falar de inclusão social de deficiente com tanta propriedade já que ele possui deficiência visual. Essa palestra causou um grande impacto especialmente na deficiente visual que estava na platéia Lethicia Massolini Romaqueli, de 26 anos que é escrevente técnica judiciária. Ela, que não sabia que haveria uma palestra ministrada por um deficiente visual como ela, se emocionou muito. Ao falar sobre a palestra de Guilherme, além de dizer que ele foi sua voz, ela afirma que "ele me representa principalmente quando diz: não sou super herói, não sou coitadinho, sou só o Guilherme e isso é o que eu tenho vontade de falar para todas as pessoas no ônibus, na rodoviária, no trabalho, na universidade, nas ruas, em todos os lugares: não sou herói e não sou coitadinha, sou só a Lethicia”. Ela ainda conta sobre o evento em geral que atualmente vivemos uma realidade em que a humanidade tem sido deixada muito de lado e lá ela conseguiu sentir uma humanidade sendo recuperada e muito aflorada em todo mundo. Além disso, sentiu as mais diversas necessidades sendo olhadas, exploradas, sendo resgatadas e concluiu que "eu acho que literalmente foi possível perceber que aqui tem gente.” Nesse quesito de inclusão social de deficientes, o evento ainda contou com tradução simultânea das palestras em libras.

O evento começou com a música de João Arruda e finalizou com a música de Lucas Soares terminando a noite em festa. Esse foi um dos diferenciais desse ano, além das 3 palestras a mais, comparado ao ano passado. Não apenas o diferencial, mas todo o evento encantou o público. Para Malu Azzoni "a mensagem principal desse ano foi que qualquer um pode provocar grandes mudanças. Mesmo uma menina de ensino médio, um menino sírio, um menino da periferia de Campinas. Basta conseguir fazer as perguntas certas, se permitir ser curioso e também errar. Mas principalmente, decidir agir sobre aquilo que nos incomoda de verdade”, ela conta mencionando os pontos principais de algumas palestras.

Apresentação do grupo Não Recomendados
Segundo a consultora de RH da Bosch - empresa patrocinadora, Ana Paula Alves, de 36 anos, “não tem como participar de um evento desses sem pensar na sua própria história”. Para ela, as palestras das mulheres de uma forma geral impactaram bastante, principalmente da fotojornalista Paula Mariane e do Lucas Soares com o projeto Anelo sobre música.

Já para o analista de RH, João Batista Tumiotto, de 29 anos, por mais que ele passasse o dia todo aprendendo e se “abastecendo" com as novas ideias, isso deveria se refletir com ações no cotidiano. Para ele, uma das palestras mais impactantes foi a de José Bueno por falar da simplicidade, e ele ainda enfatiza que "não damos valor ao simples, imaginando grandes coisas e às vezes passamos por isso despercebido e o simples é essencial, o menos é sempre mais” conta. Ainda acrescenta que outra palestra impactante foi a de Lucas Soares por ter se identificado com a música e seu projeto musical e, ao falar sobre uma das frases mais marcantes de Lucas Soares "onde não há arte, há espaço para violência”, acrescentou: "vamos cuidar do nosso pessoal, da nossa arte, para que a gente possa cada vez mais adquirir conhecimento e tornar o mundo cada vez melhor”.

Em entrevista concedida anteriormente por Mario Gioto, organizador licenciado do TEDx Campinas, de 32 anos, o trabalho do evento ainda não acabou. Agora seria o momento de editar todos os vídeos gravados das palestras e disponibilizá-los no canal de youtube TEDx Talks para que todos possam ter acesso às palestras. Além disso, esse é o momento em que recebem os feedbacks do público contando suas experiências durante e após o evento.

segunda-feira, abril 08, 2019

Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas completa 90 anos e faz história na cidade

Naira Zitei 
PUC-Campinas

O maestro da Sinfônica de Campinas Victor Hugo Toro
A Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC) celebra este ano, 2019, 90 anos de atividades. Reconhecida como uma das mais antigas do país em atividade, a OSMC foi criada em 6 de outubro de 1929 e foi a primeira instituição do gênero a surgir em uma cidade brasileira que não fosse capital de Estado. Dessa forma, em ritmo de comemoração, o maestro titular Victor Hugo Toro realizará uma série de concertos especiais durante o ano. 

A história da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas começou de maneira familiar como conta, em entrevista, Maria Angela di Tullio, neta do fundador: “O meu avô, João di Tullio, foi uma figura muito importante, porque ele pertenceu à antiga Sociedade Sinfônica de Campinas, que era uma banda. O João di Tullio reuniu o meu pai e mais os meus três tios, que eram músicos, e fundaram a Orquestra Sinfônica de Campinas em 6 de outubro de 1929”, afirma. Porém, Maria  ngela deixa claro que esses só foram alguns dos nomes que iniciaram a jornada. O atual maestro, Victor Hugo Toro, explica que existiam outras orquestras na época, mas “uma orquestra que tivesse uma série de concertos planejados e que você contasse que a orquestra fizesse parte da cidade, isso era novo”.

Orquestra Maestro João Di Tullio
Maria Angela di Tullio, neta do fundador
Por falta de verba, as apresentações pararam durante cinco anos mas, segundo Maria Angela, o tio, Luiz di Tullio, não se conformava e solucionou o problema: “ele era professor e tinha muitos alunos de violino, então ele fez uma orquestra dos alunos e chamou o meu pai e os meus dois tios para formar a Orquestra Maestro João Di Tullio. A orquestra ficou tão boa que a PUC bancou músicos de fora para vir tocar e, assim, surgiu a Orquestra Universitária Campineira. Monsenhor Salim, antigo reitor da faculdade, mais o meu tio e outras pessoas entraram em um acordo com o prefeito da época e formaram a Orquestra Sinfônica de Campinas em 1966”, lembra. De acordo com o professor de História da Música, Edson Tadeu Ortolan, o Conservatório Carlos Gomes colaborou com essa história, pois a maioria dos músicos da orquestra eram alunos do conservatório e, por isso, a maioria dos ensaios aconteciam nesse espaço, pois era um período que muitos teatros eram derrubados em Campinas. 

A partir de 1974, os músicos passaram a se sustentar apenas da orquestra e não precisavam mais trabalhar fora. Por esse motivo, a entrada do maestro Benito Juarez trouxe uma profissionalização completa à Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. Além disso, Vitor Hugo Toro ressalta que, quando Benito assumiu a orquestra, ele quebrou a barreira entre repertório clássico e popular e leva a música clássica para fora dos teatros. No entanto, Maria Angela di Tullio relembra que na época do seu pai “a orquestra, por ser municipalizada, tocava em jardins, cinemas, bairros, escolas... ou seja, isso não foi o Benito que lançou. Em 1965, o teatro foi demolido, então não tinha lugar para ensaiar, por isso, muitas vezes, era ao ar livre. O Benito continuou a fazer isso apenas.” e acrescenta “A música é cultura e todos devem ter acesso. Onde a orquestra toca tem que ter portões abertos porque, se é da Prefeitura, é do povo”, destacou.

Libreto com foto do maestro João Di Tullio, fundador
A boa fama de Benito Juarez é questionada por muitos. Ivan Corilow toca fagote na atual OSMC faz 30 anos e confirma as divergências que ocorriam com os musicistas e o maestro. Hoje, ele é muito feliz e diz: “é ótimo fazer música, mesmo os ensaios que, às vezes, são cansativos, eu acho legal. Nós trabalhamos com um grupo de 60 e 70 pessoas, é uma experiência muito diferente. As viagens, o reconhecimento do público, conhecer novas realidades faz com que eu goste muito do meu trabalho”, diz o fagotista.

Maria Angela di Tullio também apresenta um desafeto com o antigo maestro e se entristece por não ter o trabalho da sua família reconhecido e lembra a morte do tio “quando o Benito conseguiu a orquestra pra ele, o meu tio não se conformava. Acho que em 1976, ele colocou na cabeça que formaria outra orquestra junto com os músicos que tiveram que sair com a entrada do Benito, mas faltava verba. Então, ele ficou sabendo que o Ministro da Educação e Cultura da época, Ney Braga, vinha para Campinas para ser paraninfo em uma formatura do curso de Direito e essa turma contratou a orquestra do meu tio. Ele ficou feliz da vida, pois ele pensava que conseguiria apoio do Ministro, mas no ensaio um dia antes, ele morreu e não teve música no dia. Eu acredito que, na verdade, ele tenha morrido de tristeza por ter se afastado da Orquestra Sinfônica de Campinas”, afirma.

O professor Edson Tadeu critica o ambiente elitizado que possuem os concertos e acredita que para torná-los mais acessíveis é preciso explicar que uma sinfonia tem o mesmo esqueleto dos outros estilos de música, mas cada um possui uma forma de se expressar. Ele explica que a educação brasileira piorou após o Golpe de 1964 e a cultura musical erudita foi prejudicada nesse sentido. Dessa forma, a dificuldade de levar a sociedade para assistir um concerto fez com que a música clássica e popular se mesclasse, mas o maestro Victor Hugo afirma que é necessário ter um equilíbrio “a orquestra tem que ser uma instituição querida e respeitada ao mesmo tempo. Se a gente oferecer apenas música popular, nós seríamos queridos. Se a gente fizesse apenas Beethoven, seríamos respeitados”, disse.

Conservatório Carlos Gomes
A bagagem da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas contém diversos movimentos políticos, por essa razão, o musicista oficial da orquestra, Ivan Corilow, cita a importância da participação da música clássica no movimento Diretas Já e complementa “Nosso governo atual acabou com o Ministério da Cultura, nós precisamos nos manifestar”, declarou.

Já o maestro atual conta um episódio que ocorreu no ano passado: “O caso do homem que matou cinco pessoas e depois se matou em uma Catedral de Campinas no mês de dezembro de 2018 fez a gente discutir sobre o que nós poderíamos fazer, pois faz parte da nossa moral, a gente consolar as pessoas naquele período de espíritos abalados”. Por fim, ele declara que fazer arte é um ato político e os músicos utilizam os instrumentos ao invés da fala.

O fato de os meios de cultura não serem vistos como um investimento incomoda o maestro Victor Hugo e faz a seguinte analogia: “Claro, é certo que somos necessários após de outras necessidades básicas. Porém, nós não limitamos nossa relação com nossos filhos apenas com uma cama, comida, hospital e escola. Você quer que ele se forme como pessoa, por isso, não entendo porque, se em casa não nos limitamos, em termos políticos há esses cortes.”. Para enfatizar a importância de uma cidade possuir uma orquestra sinfônica, ele relata que há dois anos, eles fizeram uma atividade com crianças surdas que foi para o Jornal Nacional e, aquele ano, foi a única notícia boa que transmitiram de Campinas nacionalmente. Porém, ele concorda que esse dinheiro não deve sair do poder público apenas e reclama da falta de ajuda privada.

A Orquestra Sinfônica de Campinas mantém viva a memória do compositor campineiro Carlos Gomes, e, de acordo Edson Tadeu, ele ficaria feliz por não terem se esquecido dele após nove décadas. No entanto, acredita que o musicista exigiria mais estudo, apresentações e dinheiro para investir e reitera “um passo dado em direção a cultura é um passo dado em direção a liberdade”.

domingo, abril 07, 2019

Campinas recebe exposição de obras do artista plástico Paulo Duarte

Larissa Biondi
PUC-Campinas

Desde a quinta-feira, dia 4, até 26 de abril, a Biblioteca PúblicaMunicipal Prof. Ernesto Manoel Zink (Av. Benjamin Constant, 1633 - Centro, Campinas) recebe a exposição “Novas Impressões das Artes Gráficas”. A mostra exibe trabalhos do artista plástico Paulo Duarte, que exibe a série “Notáveis de todos os tempos”. A série é composta por gravuras de 10 personalidades artísticas, como Marilyn Monroe e Adoniran Barbosa e, além dela, serão expostos mais oito trabalhos produzidos pelo artista.

Em entrevista, Paulo revelou que a série “Notáveis de todos os tempos” tem como objetivo homenagear as grandes e mais conhecidas personalidades, tanto brasileiras, quanto internacionais. Além disso, embora seu público seja, em sua maioria, específico e formado por pessoas que demonstram maior interesse pelas artes, ele espera poder alcançar com suas obras, o máximo possível de pessoas e tentar despertar o interesse de públicos mais diversos.

A exposição está aberta para visitação das 9h às 17h de segunda a sexta. A entrada é franca.

sexta-feira, abril 05, 2019

Projeto Junto oferece cursos para alunos de escola pública em Barão Geraldo

Henrique Bragança Sponchiado
PUC-Campinas

Aula de teatro na Escola Estadual Barão de Rezende 
Localizada em Barão Geraldo, a Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende vem ofererendo, desde março, aulas de teatro para jovens dos 12 aos 20 anos. As atividades são ministradas pela professora Júlia Vilar, aluna de Artes Cênicas na Unicamp e arte-educadora, que encabeça o projeto Junto da ALES (Além da Escola), ação voluntária que disponibiliza aulas para alunos de escolas públicas, desde robótica até idiomas.

"A arte transforma as pessoas e as pessoas transformam o mundo, a arte permite a gente significar a vida", diz Júlia Vilar, atriz, cantora, produtora cultural e arte-educadora que teve seu primeiro contato com o teatro ao assistir espetáculos infantis aos domingos, próximos a sua casa, e que se iniciou depois como aluna de teatro aos seus 9 anos.

As aulas de teatro ocorrem aos sábados, das 14h às 16h15 na Escola Estadual Barão Geraldo de Rezende, no bairro Barão Geraldo. As aulas vão até o dia 29 de junho. As inscrições são gratuitas no link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSdtYKmRFow20yrRdf6Gwpd_hDfgssruOydUk7rzpV2V3ejAiQ/viewform.

domingo, março 31, 2019

Especialista cita legado de Agnès Varda: “uma facilidade para romper com padrões”

Ewerton Ramos
PUC-Campinas

A morte de Agnès Varda, na última sexta-feira (29), pegou a todos de surpresa, pois o câncer, causa da morte, não havia sido revelado a imprensa. Ela morreu em sua casa, na França, cercada por familiares e amigos.

Juliana Sangion: "A gente hoje tem que
conhecer os trabalhos dela"
Para a doutora em cinema pela Unicamp e professora de jornalismo da PUC Campinas, Juliana Sangion, a cineasta deixa diversos legados, e dentre eles, o que mais se destaca é o de romper com os padrões. “Ela tinha uma facilidade de lidar com as novas linguagens, lembro de um vídeo em que ela falava como ela lidava com a rede do Instagram, aos quase 90 anos. Ou seja, uma facilidade para arriscar com novos formatos no audiovisual, tanto no cinema de ficção, quanto no de documentário, que ela fazia de modo incrível”, declarou Juliana.

Agnès era conhecida por ser uma das pioneiras da Nouvelle Vague, um movimento que surgiu na França na década de 50, e que reagia de forma contraria às superproduções hollywoodianas da época, trazendo para os cinemas filmes mais pessoais e baratos.

Para Juliana, Agnès Varda já era uma ativista do feminismo desde os anos 1950 e gostava de expor isso principalmente quando dirigia. “Mulher pode fazer cinema, ela começou a evidenciar isso por meio da sua própria atitude no cinema dos anos 1950”, afirmou Juliana.

Dentre suas obras podemos citar "Cléo das 5 às 7" (1962), "As duas faces da felicidade" (1965) e "Os renegados" (1985), pelo qual ganhou um Leão de Ouro no Festival de Veneza. Varda foi indicada ao Oscar em 2018, mas acabou não vencendo. Para Juliana, devido à comunicação em massa, a cineasta não tinha a mesma proporção de fama dada a cineastas de blockbusters:  “Não é todo mundo que a conhecia, principalmente porque não é todo mundo que tem acesso, devido à cultura de massa. A cultura de massa padroniza tudo, ela define o que chega para nós, em que quantidade chega, definindo o acesso aos filmes, então é obvio que não é todo mundo que ouviu um dia falar nela”, afirmou Juliana.

Sangion ainda ressalta que a morte de Agnès Varda não apaga suas próprias histórias, e suas obras podem ser acessadas e vistas ainda por quem se interessar a conhecê-la: “A gente hoje tem que conhecer os trabalhos dela, conhecer o que foi o movimento da Nouvelle Vague. Nem todo mundo conheceu ela, mas está aí a oportunidade de buscar conhecer e entender a obra deixada por ela, inclusive não só a dela, mas também de diretores e diretoras da Europa e também do Brasil”, finalizou.