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domingo, maio 12, 2019

Indaiatuba volta a gerar empregos

Raphaela Silva Vitiello Alves
PUC-Campinas

Os índices de contratação de trabalhadores em empregos formais na cidade de Indaiatuba estão subindo em 2019. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), de janeiro a março, 1.232 postos de trabalho foram criados.

Indaiatuba Janeiro Fevereiro Março Acumulado
Contratações          2.591               3.148              2.542                  8.281
Desligamentos          2.170               2.541              2.338                  7.049
Saldo             421                  607                  204                  1.232
O setor que mais se destaca com resultados positivos é o da construção civil, contabilizando um saldo de 467 admissões, um crescimento de 13,33%. Entre março de 2018 e março de 2019, o destaque também ficou para o mesmo setor, com um saldo de 593 vagas, um acréscimo de 17,55%.

Alexandre Romão: "A retomada da construção
civil garante uma melhora para todos"
Segundo Alexandre Romão, presidente da AEAI (Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Indaiatuba), o resultado já era esperado, pois houve uma retomada no setor. “Sabemos que a construção civil é o grande termômetro da economia, pois fermenta o segmento produtivo e o de consumo. A retomada da construção civil garante uma melhora para todos, pois gera novos empregos, contrata-se mais mão de obra e o trabalhador passa a ser melhor remunerado, pois a empresa passa a acreditar e ter novos investimentos”, afirmou.

Romão comentou também que Indaiatuba tem um “mercado diferente”, e que, apesar da crise que afetou todo o País, a cidade não parou. “Indaiatuba diminuiu o ritmo, mas passou pela crise com obras tanto na área pública quanto na área privada. E a construção civil emprega muita gente. Em uma obra, o número de trabalhadores envolvidos é muito grande”, concluiu.

Renato Stock, secretário de governo da Prefeitura de Indaituba, disse que os indicadores são um reflexo do crescimento da cidade, proporcionado pelos investimentos e pela gestão municipal, que promovem a infraestrutura para que novas empresas se instalem em Indaiatuba.

Fonte: Caged
Stock destaca que a taxa de crescimento econômico de Indaiatuba foi superior à média estadual. No último ano, 3.015 novas empresas se instalaram na cidade, sendo 45 indústrias, 695 estabelecimentos comerciais e 2.275 prestadores de serviço. Ele cita também que a Prefeitura fomenta a geração de empregos na cidade através de ações e programas de governo.

Fonte: Caged
“Indaiatuba cresce de uma forma planejada e os investimentos nas áreas da segurança, saúde, educação não param. O município oferece condições e infraestrutura para atender aos novos investimentos, fazendo com que a empregabilidade seja fomentada pela economia, como podemos observar nos números do emprego formal”, concluiu o secretário de Governo.

terça-feira, abril 16, 2019

Desemprego no Brasil atinge 13,1 milhões de pessoas

Isabeli Lemos
PUC-Campinas

Fila de trabalhadores em busca de
emprego no CPAT de Campinas
O número de pessoas desempregadas no Brasil subiu para 12,4% no trimestre encerrado em fevereiro de 2019, atingindo 13,1 milhões de pessoas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 29 de março. De acordo com registros feitos pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), esse percentual está acima do marco de desemprego feito em novembro de 2018, que apontava 11,6%. A alta representa a entrada de 892 mil pessoas na população desocupada.

O IBGE também apontou que a população fora da força de trabalho alcançou 65,7 milhões de pessoas, a maior da série do Instituto, crescendo 0,9% frente aos três meses anteriores e 1,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2018. Já a população ocupada ficou em 92,1 milhões de pessoas, o que representa a queda de 1,1% frente aos três meses anteriores (menos 1,062 milhão).


 É muito necessária uma boa qualificação para a entrada no mercado de trabalho 
Silvia Garcia, coordenadora do CPAT SINE
Com o desemprego em alta, é possível observar nas grandes cidades as filas de pessoas em busca de uma vaga de trabalho. Em Campinas, o CPAT (Centro Público de Apoio ao Trabalhador), órgão vinculado à Secretaria Municipal de Trabalho e Renda de Campinas, que seleciona e encaminha trabalhadores para vagas de emprego, sente a dificuldade da população em encontrar um serviço. A coordenadora do CPAT SINE, Silvia Garcia, afirma que a causa do desemprego não se refere apenas pela falta de vagas, mas também pela eliminação de cargos que já existiam e a exigência de qualificação. “É natural que as empresas fiquem cada vez mais exigentes. É muito necessária uma boa qualificação para a entrada no mercado de trabalho”, comenta.

Criação de vagas ainda deixa a desejar
De acordo com os dados do CAGED disponibilizados pela assessoria de imprensa da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), a tendência é que, no decorrer do ano de 2019, tenha-se uma melhoria de emprego por causa da evolução positiva nos postos de trabalho. Os dados demonstram que, em fevereiro, foram gerados 173.139 postos de trabalho no país, cerca de 183,0% acima dos 61.188 desse mesmo mês no ano de 2018. Em Campinas foram gerados em fevereiro 1.931 postos, o que representa uma evolução de 63,92% em relação aos 1.178 gerados em fevereiro de 2018. O único segmento que mostrou eliminação de postos de trabalho foi a agropecuária (-23), mas a Indústria, os Serviços, o Comércio e a Construção Civil, geraram 1.936 postos, que começam a indicar boas perspectivas de melhora para o emprego no município, para 2019.

 O impacto da Reforma Previdenciária do novo governo gera ainda, incertezas para a economia
Laerte Martins
Embora a expectativa é que aumente o número de vagas, de acordo com o economista diretor da Acic, Laerte Martins, essa é uma recuperação muito lenta uma vez que a perda na geração de postos de trabalho foi muito elevada, entre 2016, 2017 e 2018. “O mercado espera uma boa recuperação para este ano, mas o impacto da Reforma Previdenciária do novo governo gera ainda, incertezas para a economia, que necessita crescer bem mais do que tem expandido”, afirma Laerte.

Grande parte da população que sofre com o desemprego são os jovens. Marcel Ferraz, formado em biologia há 2 anos pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), acredita que a causa que o levou a ficar desempregado por 1 ano e 4 meses foi a grande concorrência e a falta de vagas na área: “por não existir muitas vagas para a biologia e ter muita gente já formado, mas desempregado, isso acabou me causando a falta de emprego ou tendo que recorrer a outro tipo de serviço”, comenta.

 A formação no ensino superior e a realização de estágios pode aumentar as chances de ingressar no mercado, mas ainda não é garantia de empregabilidade
Bruna Wargas
Para a professora de economia da Unicamp, Bruna Wargas, o caso dos jovens é bastante emblemático, tendo em vista os dados do IBGE (2019), que aponta 26% de jovens entre 18 e 24 anos desempregados, uma taxa bastante superior à média de desemprego do país que figura em 12,4%. “Uma das explicações está na questão da experiência, o que dificulta a entrada no mercado de trabalho. A formação no ensino superior e a realização de estágios pode aumentar as chances de ingressar no mercado, mas ainda não é garantia de empregabilidade”, diz Bruna.

As muitas tensões do mercado estão em torno das expectativas do governo em aprovar medidas como a reforma da previdência. Além disso, para os economistas Bruna Wargas e Laerte Martins, a causa da diminuição do emprego está intimamente ligado ao crescimento do PIB, que vem se expandindo a taxas muito baixas (0,9% / 1,0%). A perspectiva para este ano, é de um crescimento tímido, sendo que o PIB deve crescer 2%, de acordo com o IPEA (2019). Ou seja, o movimento ainda é muito incerto, mas espera-se uma estabilidade em geral com relação ao desemprego.

Microempreendedores
O número de microempreendedores individuais em Campinas cresceu 16,55% no primeiro trimestre de 2019, em comparação com 2018. Para Bruna Wargas, é muito comum que em momento de elevado desemprego a busca por alternativas de se realocar no mercado, passam pela alternativa do empreendedorismo, mas acaba não sendo uma boa opção. “Muitas vezes, essa alternativa acaba frustrada, pois a entrada em um determinado mercado demanda um planejamento, analisar o mercado, concorrentes, clientes, fluxos de caixa etc.”, explica. Ademais, a taxa de empresas que fecham no primeiro ano de funcionamento no Brasil é bastante elevada.

Criação de vagas
O governo divulgou no dia 24 de março que, em 2018, o País criou 529 mil postos com carteira assinada, após 3 anos seguidos de demissões superando as contratações. A projeção dos economistas para 2019 está entre 590 mil e 870 mil de vagas com carteira assinada, mas a taxa de desemprego ainda deve ficar acima de 10%. O trabalho informal continuará a superar o emprego formal, e a taxa de desemprego deverá terminar o ano ainda em dois dígitos.

Bolsonaro

 Temos que ter uma taxa não de desempregados e sim de empregados
Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro criticou a metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para medir a taxa de desemprego no Brasil, após divulgarem um crescimento de 0,8% no último trimestre. O presidente afirma que ela tende a elevar o índice em momento nos quais a economia está se recuperando de crises.

O IBGE, assim como órgãos de estatística de outros países, considera como desempregados apenas as pessoas que estão procurando, mas não conseguiram encontrar um emprego. Os que não possuem emprego e não estão procurando são enquadrados em outra categoria, de população desalentada.

Para Bolsonaro, o problema com os dados do IBGE é que, quando há uma pequena melhora na perspectiva econômica, essas pessoas que não estavam procurando emprego, procuram, e, quando procuram e não acham, aumenta a taxa de desemprego. “É uma coisa que não mede a realidade. Parecem índices que são feitos para enganar a população”, comenta Bolsonaro.

Em nota, o IBGE declarou que “a metodologia adotada segue recomendações dos organismos internacionais, em especial a Organização Internacional do Trabalho (OIT), com o intuito de garantir a comparabilidade com outros países”. Mas, em entrevista à rede de televisão Record, no dia 1º de abril, Bolsonaro afirma que essa metodologia aplicada em outros países não é a mais correta. “É fácil ter a metodologia precisa no tocante à taxa de desemprego. É você ver dados bancários, dados junto à Secretaria de Trabalho, quantos empregos geramos a mais ou a menos no mês”, disse o presidente.

Essa não é a primeira vez que Bolsonaro faz críticas ao IBGE. Em novembro de 2018, ele expôs que quer mudar a metodologia do cálculo da taxa de desemprego. Segundo ele, beneficiários do Bolsa Família são contabilizados como empregados. “O que está aí é uma farsa. Quem recebe Bolsa Família é tido como empregado, quem não procura emprego há mais de um ano é tido como empregado. Temos que ter uma taxa não de desempregados e sim de empregados”, afirma. Como resposta, o IBGE negou essa informação.

segunda-feira, abril 08, 2019

Especialista do Ipea vê necessidade de mudanças diante do aumento da população idosa

Mattheus Angelo Alves Lopes
PUC-Campinas

VIII Conferência Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa
de Campinas realizada na Unicamp no mês de março
“Quando você mexe na Previdência, você mexe no mercado de trabalho”, afirmou, em entrevista telefônica, Ana Amélia Camarano, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e doutora em demografia que, nos últimos 20 anos, tem concentrado suas pesquisas na área de envelhecimento populacional - “e ela (a reforma) não está focando no mercado de trabalho e nas suas consequências”, diz.

Camarano afirmou que está produzindo uma pesquisa sobre dificuldade de inserção do trabalhador com idade avançada no mercado de trabalho. “Gosto de chamá-los de nenéns; nenéns maduros”, diz, fazendo uma analogia com a vida infantil, sublinhando que o mesmo deveria ocorrer com pessoas de idade avançada.

“Eu acho que, com a reforma, deveria se desenvolver uma política pública de recapacitação desse trabalhador que está com dificuldade de entrar no mercado de trabalho... pois um argumento do preconceito é a dificuldade de o idoso acompanhar as mudanças tecnológicas”, acrescentou.

A partir dos 60 anos, as pessoas se planejam e se consideram em um período de repouso e de busca do bem-estar físico e mental, principalmente os que têm uma dependência de terceiros. Quando questionada se a sociedade está preparada para receber esse grupo, Ana Amélia aponta: “a área de cuidados, é onde praticamente não se tem políticas públicas para amparar. Tanto a Constituição de 1988 como a Política Nacional do Idoso dizem que a família é a principal responsável pelo idoso dependente, mas o Estado não tem feito nada para ajudar essas famílias a cuidar”, apontou Ana Amélia.

Em Campinas, mudanças e exigências sobre o papel do idoso estão sendo reformuladas. No mês de março, nos dias 28 e 29, ocorreu a VIII Conferência Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa de Campinas, programada pelo Conselho Municipal do Idoso (CMI), com o tema “Os Desafios de Envelhecer no Século XXI e o papel das Políticas Públicas”, no Centro de Conferências da Unicamp.

Pressão demográfica
A população idosa tem crescido durante os últimos anos, causando variações na estrutura socioeconômica brasileira. Em 2010 o número de pessoas com mais de 60 anos na região de Campinas era 12.39%. Já em 2019, havia subido para 15.93% de acordo com a Seade. O levantamento também aponta para os níveis de envelhecimento populacional; em 2010, 64.25%, e em 2019, 90.71%. Ainda, a taxa de natalidade caiu desde 2000, que desde então passa por variações inexpressivas desde 2005, 13.61% a 13.47% em 2017.

Esses dados apontam a necessidade de adaptação que o País terá de enfrentar como parte essencial integradora de um recorte populacional que expressara aspectos ainda não reformulados pelos conceitos sociais e o mercado trabalhista, sendo o segundo de expressão relevante como impulsionador econômico, visto que a população idosa ocupara mais espaços sociais, evidenciado pela projeção populacional realizada pelo IBGE. Em 2045, a população do Estado de São Paulo com 60 a 64 anos terá crescido de 4.8% (2018) para 6.51%, e os dados só têm de aumentar quando analisados até o ano de 2060, limite máximo da projeção, sem incluir ainda os grupos acima de 64 anos.

De acordo com a Reforma da Previdência apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro, a mulher terá que ter idade mínima de 62 anos para se aposentar, e o homem 65. O tempo de contribuição sobe para 20 anos (idade mínima é a mesma para funcionários públicos e privados) e o aposentado só recebera 100% do benefício se pagar ao INSS por 40 anos, sendo mais um aspecto que levara mais idosos na busca de cargos trabalhistas.

Fora as alterações trazidas em âmbito bruto e factual, a Reforma apresentada também traz desfalque social. Para o idoso competir em vagas de trabalho é mais dificultoso, sendo uma argumentação baseada no fato de ele não ser mais capaz de acompanhar as novas interações sociais e se desenvolver enquanto empregado, causando uma preferência pelo indivíduo de idade mais nova. Entretanto, o número de jovens não vem se equiparando ao crescimento senil, formulando um paradigma econômico, já que se aqueles que têm 60 anos ou mais serão uma grande parcela na população, mas os mesmos não ocuparão cargos trabalhistas por conta de um preconceito social.

Cooperação
Ianê Nogueira do Vale, 67 anos, ex-docente na faculdade de enfermagem da Unicamp e que hoje comanda a Vale Amamentar, empresa de consultoria que atende mulheres no pré e pós-parto. A cooperação de pessoas mais novas e mais velhas é um ponto inicial da consultoria. Impulsionada por uma ex-aluna de 26 anos, hoje socia, que instigou Ianê a participar do projeto, é um ponto ressaltado na entrevista, que une a vontade da primeira, com a experiência da segunda. Relatando um acompanhamento realizado, a ex-docente fala da dificuldade que sua socia estava tendo em um atendimento e como sua bagagem de conhecimento técnico foi essencial no encaminhamento por ser mais experiente, para que a mãe atendida se desenvolvesse – “É nesse sentido que cooperação jovem e idoso dá certo; se eu não tivesse essa jovem comigo eu não teria estruturado a Vale Amamentar, não teria energia pra gerenciar as redes sociais. Eu preciso dela, e ela precisa de mim. A integração ocorrida por meio de uma jovem, indica a formação de um novo produto até então não esperado por uma pessoa acima de 60 anos onde se é esperado uma retração trabalhista por parte do indivíduo. “Olha eu tenho certeza que eu não sou normal.” Brinca, quando questionada sobre sua idade e o mercado de trabalho – “Por ter trabalhado a vida toda, eu nunca sonhei em ser uma dona de casa. Claro, eu faço aula de tricô e atividades consideradas caseiras, mas se a casa está bagunçada e tenho coisas mais importantes e prazerosas pra fazer com relação ao meu trabalho, a casa fica bagunçada. Pra mim sempre foi imperioso ter uma atividade.”

A Educação é um tópico polêmico em relação às pessoas idosas. Entretanto, assim como mostra em um projeção populacional realizada pelo IBGE, em 2045, a população com 60 a 64 terá crescido de 4.8% (2018) para 6.51%,e o dados só têm de aumentar quando analisados até o ano de 2060, limite máximo da projeção. A falta de inclusão nas áreas da educação também deve ser englobada. “Quando eu me aposentei, procurei um programa chamado UniversIDADE. É feito pela Unicamp e por professores que oferecem aulas pra pessoas com mais de 50 anos. Uma das disciplinas que eu fiz chamava ‘Jogando Videogame’ com uma classe cheia de idosos. Isso me faz acreditar que é possível sim, um idoso estudar e se engajar na sociedade atual”, aponta.

Com a junção de políticas públicas e conceitos sociais sendo renovados, a população mais velha é colocada sob uma nova perspectiva que a vê não como estorvo ou um atraso econômico e social, mas como uma parcela disponível para gerenciamento de atividades diversas. Do tricô ao videogame, o idoso é a prova da adaptação humana e da necessidade de o Estado oferecer base para estes. “Ser idoso é uma oportunidade de se redescobrir” finaliza Ianê.